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![]() ![]() Quinn et al. (1988) e Amrhein et al. (1983) mostraram claramente que ocorre uma relação inversa entre a degradação do produto e o crescimento da população de microrganismos durante a degradação do glifosato (Figura 8). A população de microrganismos pode adaptar-se à aplicação do produto, tornando-se pouco sensível à sua presença, sendo capaz de crescer satisfatoriamente, mesmo em concentrações elevadas.
Figura 8. Crescimento de uma população microbiana do solo adaptada em meio de cultura enriquecido com 0,5 mmol L-1 de glifosato (Quinn et al., 1988) e crescimento de população de Aerobacter aerogenes adaptada e não adaptada ao glifosato (Amrhein et al., 1983).
Os estudos realizados até hoje, inclusive em área que recebeu aplicação de glifosato por dezenove anos, não mostrou qualquer efeito adverso significativo sobre a microbiologia do solo (Hart e Brookes, 1996) e não se observou impacto sobre a biomassa microbiológica, bem como sobre a mineralização de carbono e nitrogênio, nas doses recomendadas (Biederbeck et al., 1997). Trabalhos mais recentes feitos por Haney et al., (2000, 2002) também confirmam a degradação do produto sem impacto negativo sobre a comunidade microbiana do solo. Da mesma forma, Giesy et al. (2000) concluíram em seu relatório de avaliação de risco ecotoxicológico para a molécula de glifosato que, nas doses recomendadas, não há qualquer evidência de que o produto possa causar danos à microbiologia do solo. Giesy et al. (2000) concluíram que o glifosato utilizado nas doses recomendadas não causa danos sobre a microbiologia do solo. Jansen (1999) analisou o impacto do uso de herbicidas em plantio direto e concluiu que os herbicidas geralmente representam menor risco para os seres humanos e para a fauna silvestre, quando comparados com os inseticidas, em razão de agirem basicamente sobre processos fisiológicos existentes apenas em plantas. Além disso, a presença de organismos vivos em solo onde o plantio direto é realizado é muito maior do que em solo de plantio convencional. Isso mostra claramente que os microrganismos encontram um ambiente mais favorável nas áreas de plantio direto, ocorrendo em maior quantidade e diversidade, independentemente do tipo de solo. Outra conclusão foi que diferentes herbicidas e doses aplicadas nas áreas de plantio direto têm menor efeito negativo sobre os componentes biológicos do solo que o preparo mecânico para o plantio convencional e os herbicidas utilizados nesse sistema. Finalmente, os microrganismos são agentes importantes na degradação da maioria dos herbicidas. Portanto, segundo Jansen (1999), o risco de aparecimento de resíduos de herbicidas é maior nas áreas de plantio convencional que em áreas de plantio direto, em razão da maior atividade biológica nessas áreas. O glifosato é um dos ingredientes ativos que viabilizaram o estabelecimento e o crescimento das áreas de plantio direto no mundo e é considerado um sistema sustentável e conservacionista por excelência, trazendo benefícios como proteção do solo contra os processos erosivos e perda de umidade (Giesy et al, 2000). Dentre outros benefícios podemos ainda citar melhoria das características físico-químicas do solo, aumento do nível de matéria orgânica, aumento da biodiversidade, aumento da capacidade de retenção de água, melhor aproveitamento dos nutrientes do solo pela planta etc. Muitos desses benefícios podem ser comprovados, por exemplo, pela maior ocorrência de minhocas e maior atividade microbiana nas áreas de plantio direto na decomposição da palhada e dos restos de culturas sobre o solo. Todos esses fatores são muito importantes no desenvolvimento das culturas implantadas nessas áreas, tornando-as mais resistentes às condições de estresse, aumentando seu potencial de produção e trazendo benefícios diretos e indiretos para o agricultor, o meio ambiente e a sociedade em geral.
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