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Roundup : Glifosato : Capítulo VII


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Capítulo VII

O Glifosato e as Populações Microbianas do Solo

O Glifosato e as Populações Microbianas do Solo O solo é um sistema bastante complexo, constituído por material mineral, matéria orgânica, microrganismos, água e ar; sendo que a variação de um desses componentes pode provocar alterações nos demais (Alexander, 1961). Populações complexas e diversificadas de microrganismos estão presentes no solo e provocam grandes interferências na qualidade dos mesmos, juntamente com os processos bioquímicos que neles ocorrem (Tiedje et al., 1999). A presença de microrganismos no solo pode ser facilmente influenciada por inúmeros fatores, como propriedades físico-químicas, matéria orgânica, umidade, temperatura, pH, sistemas de manejo e outros (Alexander, 1961; Buckley e Schmidt, 2001). Portanto, variações em populações específicas de microrganismos são esperadas sempre que se introduz alguma prática agrícola que altere significativamente os fatores citados.

No ambiente agrícola, o glifosato não causa impacto significativo sobre as populações microbianas em função da grande diversidade dos microrganismos, da composição físico-química dos solos e da dose efetiva para exercer alguma ação sobre eles. Grossbard & Harris (1979), observaram que concentrações de glifosato capazes de inibir microrganismos em culturas puras estão geralmente muito acima daquelas que poderiam estar disponíveis nos solos após as aplicações de campo. Citam ainda que o glifosato é altamente adsorvido ao solo, o que colabora para sua inativação e indisponibilização. Segundo Roslycky (1982), o glifosato aplicado ao solo não tem efeito adverso nas populações microbianas.

O estudo desenvolvido por Gomez et al. (1989) mostrou que o glifosato não teve efeito prejudicial sobre microrganismos no campo, mesmo em doses de até 14,4 kg e.a./ha em solos arenosos. Entretanto, quando usado na concentração de 1%, em condição de laboratório, o produto afetou significativamente algumas estirpes de bactérias. Grossbard (1985) também observou que em meio de cultura puro muitos microrganismos tiveram seu desenvolvimento inibido pelo glifosato, mas que esse efeito dificilmente é reproduzido no campo, onde há incremento no número de propágulos de fungos com o aumento da dose do glifosato, uma vez que os microrganismos utilizam o próprio produto como substrato. Um dos aspectos mais interessantes observados durante a utilização do glifosato é que ele não reduz a nitrificação no solo, ao contrário de outros herbicidas. Grossbard (1985) enfatizou que não há risco de a fertilidade do solo ser comprometida pelo uso de glifosato.

Gomez e Sagardoy (1985) estudaram o efeito de doses do glifosato de 0 (zero) a 2.880 g e.a./ha sobre o número total de bactérias aeróbicas, microartrópodos e ácaros presentes nos solos durante 96 dias em solo arenoso de uma região semi-árida na província de Buenos Aires, Argentina. Alterações significativas que pudessem prejudicar a microflora e a mesofauna não foram observadas em nenhuma das doses testadas.

Chakravarty e Chatarpaul (1990) avaliaram o efeito do herbicida glifosato no crescimento de mudas novas de Pinus resinosa e no desenvolvimento de micorrizas em simbiose com fungos Paxillus involutus, em ensaios desenvolvidos em casa de vegetação. Efeitos adversos do produto não foram observados, mesmo na dose de 3,23 kg e.a./ha. Os mesmos resultados foram encontrados em avaliação de campo, porém nas parcelas não tratadas houve uma mortalidade de 49% do Pinus resinosa, o que foi atribuído à competição pelas plantas daninhas, pois nas parcelas tratadas com glifosato todas as plantas mostraram excelente desenvolvimento.

O aumento da atividade microbiológica do solo com a aplicação do glifosato tem sido observado em vários trabalhos. Sabe-se que muitos microrganismos utilizam a molécula do glifosato como fonte de fósforo, quando da ausência deste no meio (Liu et al., 1991; Pipke et al., 1987).

Araújo (2002) avaliou a biodegradação do glifosato em dois tipos de solo (podzólico vermelho-amarelo e latossolo vermelho) durante 32 dias e observou o aumento da atividade microbiana após a aplicação da dose de 2,16 mg de e.a./kg de solo. Os fungos e actinomicetos apresentaram aumento de população, enquanto as bactérias permaneceram em número constante durante todo período de incubação.

Estudo em andamento (Pitelli, 2003 – UNESP Jaboticabal) vem demonstrando que a adição de glifosato no solo incrementa a atividade microbiana, o que é medido pela evolução de CO2 do solo. As Figuras 6 e 7 mostram a resposta de microrganismos que utilizam a molécula de glifosato no seu metabolismo e aparentemente são favorecidos pelo aumento da dose do produto, podendo-se inferir que ocorre rápida dissipação do herbicida.

Efeitos da incorporação de diferentes concentrações de glifosato sobre a atividade respiratória de um latossolo vermelhoescuro, textura média, em condições de incubação em laboratório (período de 22 de junho a 14 de julho de 2003).
Figura 6. Efeitos da incorporação de diferentes concentrações de glifosato sobre a atividade respiratória de um latossolo vermelhoescuro, textura média, em condições de incubação em laboratório (período de 22 de junho a 14 de julho de 2003).
Pitelli, R. A. - UNESP, Jaboticabal, 2003, ensaio 1 (gráfico publicado com autorização expressa do autor).

Efeitos da incorporação de diferentes concentrações de glifosato sobre a atividade respiratória de um latossolo vermelhoescuro, textura média, em condições de incubação em laboratório (período de 22 de junho a 14 de julho de 2003).
Figura 7. Efeitos da incorporação de diferentes concentrações de glifosato sobre a atividade respiratória de um latossolo vermelhoescuro, textura média, em condições de incubação em laboratório (período de 22 de junho a 14 de julho de 2003).
Pitelli, R. A. - UNESP, Jaboticabal, 2003, ensaio 2 (gráfico publicado com autorização expressa do autor).

 
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