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Quadro 2. Potencial da água em plantas cítricas sadias e afetadas por Clorose Variegada e Declínio dos citros em diferentes períodos do dia.
Segundo Feichtenberger et al. (1997), existem algumas sugestões para manejo de pomares com incidência de CVC. São elas: uso de mudas livres de Xylella fastidiosa em plantios novos e replantes, controle de plantas daninhas no pomar, realização de inspeções freqüentes nos pomares para identificar focos iniciais da doença, poda de ramos afetados (50 cm abaixo da última folha inferior com sintomas), manutenção do pomar em boas condições nutricionais e fitossanitárias e uso de quebra-vento. Além disso, é fundamental o controle de insetos vetores da doença, que são as cigarrinhas sugadoras de seiva do xilema, das famílias Cicadellidae e Cercopidae (Gravena et al., 1997). Medina (2002) cita que plantas bem nutridas e sem limitações nutricionais que impeçam as atividades metabólicas podem sobreviver melhor à CVC por atingir melhores taxas de fotossíntese e rápido crescimento, o que dilui a população bacteriana nos tecidos e reduz seus efeitos deletérios, já que as bactérias crescem lentamente. O contrário é observado em plantas subnutridas, as quais apresentam os sintomas da doença agravados. Na literatura encontram-se ainda trabalhos que demonstram que elementos minerais como Ca (cálcio), Mn (manganês), Cu (cobre), Bo (boro), Mo (molibdênio) e S (enxofre) podem ter influência nos processos de resistência das plantas aos ataques de pragas e doenças. Como exemplo podemos citar Malavolta (1987), que relata que o cálcio estimula o desenvolvimento das raízes, aumenta a resistência a pragas e doenças e aumenta o pegamento da florada. Outro trabalho que também mostra essa relação foi o desenvolvido por Silveira & Higashi (2003), que analisaram os principais efeitos dos nutrientes na ocorrência de doenças fúngicas, com ênfase para eucalipto. Os autores citam que o excesso e/ou a falta de alguns nutrientes alteram as estruturas anatômicas e as propriedades bioquímicas, tornando as plantas mais suscetíveis a doenças; citam também que observaram evidências dessa tendência com relação a elementos como silício, boro, manganês, nitrogênio, fósforo, cálcio e zinco. É importante ressaltar que a atual condição nutricional e sanitária dos pomares de citros em São Paulo é um reflexo da situação econômica pela qual passou o setor nos últimos anos. Os baixos investimentos em tratos fitossanitários e, principalmente, em adubação, assim como o uso abusivo de grades para controle das plantas daninhas, têm levado em última análise ao desequilíbrio químico, físico e biológico dos solos. A carência de nutrientes, agravada pela redução dos teores de matéria orgânica e por problemas de compactação do solo, tornou as plantas muito mais sensíveis a pragas e doenças, mesmo em pomares que eram razoavelmente bem manejados antes da crise. Além disso, nos últimos anos tem-se observado uma profunda alteração no regime de chuvas, o que, aliada a altas temperaturas, também favorece a maior expressão de doenças como a CVC. O glifosato, utilizado para o controle de plantas daninhas em várias pesquisas que procuraram avaliar diferentes sistemas de manejo em citros, sempre se mostrou um dos tratamentos de maior produtividade praticamente em todos os ensaios conduzidos por vários anos (ver capítulo III). Esses dados mostram que essa molécula é bastante segura para a cultura de citros, não tendo qualquer relação com doenças como a CVC, sendo seu uso recomendado pelas principais instituições especializadas no manejo de plantas daninhas. Como já citado no capítulo IV, Altman (1995) discutiu essa relação e não identificou qualquer evidência de que as aplicações de glifosato tenham modificado as características de absorção das raízes das plantas de uva ou mesmo facilitado o processo de infecção por bactérias do grupo da Xylella fastidiosa em uva ou citros.
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