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Roundup : Glifosato : Capítulo V


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Capítulo V

A Clorose Variegada dos Citros (CVC) e o Glifosato

A Clorose Variegada dos Citros (CVC) e o Glifosato A Clorose Variegada dos Citros (CVC), ou "amarelinho", representa hoje uma das principais ameaças à citricultura brasileira, pois ataca todas as variedades comerciais de laranja doce, base da nossa indústria de suco de laranja. Constatada pela primeira vez no Brasil em 1987, em pomares de Colina (SP), e logo depois no Triângulo Mineiro e nas regiões norte e noroeste do Estado de São Paulo, ela representa hoje uma das maiores preocupações da citricultura nacional (Rosseti et al., 1997).

A doença é mais severa em plantas jovens, pois quando as infecta precocemente, inviabiliza a continuidade dos pomares. Em plantas adultas, os danos iniciais são menores, mas a doença também compromete a qualidade dos frutos, tornando-os pequenos e com pouco suco, portanto imprestáveis para o mercado in natura e , muitas vezes para a indústria. Neste caso, nem sempre é necessária a erradicação do pomar.

Desde a sua constatação, muitas hipóteses, como causa virótica, desequilíbrio nutricional etc., foram levantadas no sentido de se identificar e caracterizar a causa do problema. Em 1989, materiais sadios e sintomáticos foram enviados aos laboratórios do INRA (Institut National de la Recherche Agricole) em Bordeaux, na França, reconhecido centro de excelência em pesquisa sobre doenças cítricas, coordenado pelo Dr. José M. Bové. Havia suspeita de que os sintomas da CVC eram semelhantes aos do greening, doença causada por bactérias de taxonomia ainda indefinida, conhecidas como Liberobacter spp, que atacam o floema de plantas, causando colapso desses vasocondutores. Após exames de microscopia eletrônica de alta resolução, não foi constatada a presença de bactérias do greening, mas sim de bactérias do grupo da Xyllela fastidiosa nos vasos do xilema de plantas com sintoma, a primeira constatação internacional da doença (Rosseti et al., 1990). Esse foi o primeiro passo para a compreensão da etiologia ou causa da CVC.

Entretanto, a confirmação final de que a CVC era realmente uma doença e não resultado de outra causa abiótica, como desequilíbrio ou deficiência nutricional, toxicidade por produtos químicos etc., veio com os trabalhos de Chang (1993), em colaboração com o Instituto Biológico, e de Beretta et al. (1993), que simultaneamente, em dois diferentes centros de pesquisa, reportaram que reisolaram a bactéria e após seu isolamento e crescimento em meio de cultura puro, inocularam-na em plantas sadias que vieram a expressar os sintomas. Fecharam-se, assim, os postulados de Koch, considerados pelos fitopatologistas como a prova final necessária para definir a etiologia ou causa de uma doença de plantas. Dessa forma, ficou demonstrado que os problemas nutricionais que aparecem na sintomatologia da CVC, conforme descritos por Quaggio (1988), Vitti (1989) e Malavolta (1990), eram apenas a conseqüência e não a causa da doença. A partir de então ficou provado que todas as outras possíveis causas aventadas para a ocorrência da doença eram na verdade conseqüências dela (Bologna, 2003).

Os prejuízos que a CVC traz à fisiologia das plantas cítricas, como sintomas de murcha nos ramos e galhos secos, frutos pequenos e desordens nutricionais diversas, são decorrentes da redução do fluxo de água nos vasos do xilema, provocando a presença de grande número de bactérias dentro desses vasos, que, juntamente como uma matriz gelatinosa usada por elas para se prender às paredes do xilema, reduzem a seção disponível ao fluxo de água, conforme pode ser vista em fotografia de microscopia eletrônica na Figura 3.

Fotografias de microscópio eletrônico mostrando a obstrução dos vasos do xilema em função da presença de bactérias Xyllela fastidiosa. Fotografias de microscópio eletrônico mostrando a obstrução dos vasos do xilema em função da presença de bactérias Xyllela fastidiosa.

Figura 3. Fotografias de microscópio eletrônico mostrando a obstrução dos vasos do xilema em função da presença de bactérias Xyllela fastidiosa.

O trabalho de Machado et al. (1994) avaliou os efeitos da CVC nos processos fisiológicos vitais às plantas cítricas, como fotossíntese, respiração, trocas gasosas e relações hídricas ao longo de todo período do dia. Eles mostraram que a redução da água disponível para as plantas, causada pela obstrução dos vasos do xilema, é semelhante àquela observada em plantas cítricas afetadas pelo declínio, nas quais também há a obstrução dos vasos do xilema por filamentos de proteínas de origem ainda desconhecidas e que levam à morte das plantas enxertadas em portaenxertos sensíveis. Esse é o caso do limão-cravo, conforme mostram os resultados do Quadro 2, que indicam que no início da manhã, quando a disponibilidade hídrica é máxima, as plantas afetadas por CVC já apresentam menor potencial de água em seu interior, o que demonstra a dificuldade de condução da água do solo para a parte aérea das plantas.

 
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