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![]() ![]() Considerando as características de comportamento do glifosato no solo, se a aplicação do produto for feita dentro de padrões técnicos recomendados quanto à tecnologia de aplicação, dose e alvo a serem controlados, é praticamente nula a possibilidade de vir a atingir as plantas cultivadas, principalmente via solo. Quanto ao potencial risco do produto vir a afetar a produção de fitoalexinas, é importante citar que a produção desses compostos pelas plantas está relacionada a diversos fatores, como, por exemplo, estado nutricional, fatores estressantes do meio, estágio fenológico das plantas etc. Segundo Rodrigues (2004)1, as fitoalexinas são originadas nas plantas por, pelo menos, quatro rotas metabólicas conhecidas, sendo que a do ácido chiquímico é a única que poderia ser afetada pelo glifosato. Essa rota metabólica, segundo ele, não é a principal, pois a enzima chalcona sintetase (que catalisa uma das reações de formação dos flavonóides, que são compostos fenólicos precursores de alguns tipos de fitoalexinas) utiliza carbonos advindos não só do ciclo do ácido chiquímico, mas também do ciclo do ácido malônico, além de outras fontes. Adicionalmente, é importante ressaltar que existem diferentes fitoalexinas, as quais podem variar, inclusive, por espécie de planta, e que sua efetividade é ainda muito variável. Rodrigues (2004) cita ainda que, além das fitoalexinas fenólicas já relatadas, existe enorme variedade de fitoalexinas formadas na rota dos terpenos, pela via do ácido mevalônico, que nada tem a ver com a rota do ácido chiquímico. Assim, não há como o glifosato interferir nessa rota tão importante para grande parte das fitoalexinas sintetizadas. Por outro lado, muitas plantas podem liberar, pelas raízes e folhas, grande variedade de metabólitos secundários, como os ácidos fenólicos, principalmente caféico e ferúlico, que podem reduzir o crescimento de muitas plantas e mesmo inibir a germinação. Esses compostos sintetizados por plantas daninhas, quando liberados no solo, poderiam afetar o desenvolvimento das plantas citrícolas. Nesse aspecto, a ação do glifosato, em doses comerciais, é bastante efetiva, pois, como inibe a atividade da EPSPS, acaba inibindo a rota do ácido chiquímico, a via metabólica da formação dos ácidos fenólicos, não ocorrendo liberação desses compostos no solo e não ocorrendo, portanto, o efeito da redução do desenvolvimento das plantas cultivadas (Taiz & Zieger, 2004). Liu et al. (1995) observaram que a aplicação de glifosato não afetou significativamente o acúmulo ou exsudação de fitoalexinas (kievitone, phaseollinisoflavan e phaseolin) nas raízes do feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) inoculadas com Pythium spp, quando cultivadas em sistema de hidroponia. Já em plantio do feijoeiro em areia esterilizada e inoculado com Pythium spp, o glifosato não afetou significativamente o acúmulo de fitoalexinas até o terceiro dia; entretanto, no quinto dia a presença da fitoalexina phaseollin, detectada nas raízes inoculadas de plantas tratadas com glifosato, foi significativamente maior que nas plantas não tratadas e também inoculadas, mostrando que o glifosato não afetou negativamente a produção de fitoalexinas. Outros trabalhos procuraram avaliar a relação da molécula do glifosato e sua interferência com patógenos. Kassaby & Hepworth (1987) demonstraram o efeito do glifosato na redução do crescimento radicular, na produção de esporos e no potencial de inóculo de Phytophthora cinnamomi, responsável por doença radicular em Pinus radiata. Esses resultados foram corroborados por Azevedo (2003); Toftaneli (1997) e Alves Jr. (1997), para condições brasileiras, com fungos entomo e fitopatogênicos, onde observaram que a ação do glifosato chegou a ser fungistática, porém não fungicida. A relação entre o glifosato e a incidência de patógenos em uva e citros também foi motivo de estudos no meio científico. Altman (1995) discutiu essa relação e, com base em sua ampla revisão de literatura, não identificou qualquer evidência de que as aplicações de glifosato tenham modificado as características de absorção das raízes das plantas de uva e nem mesmo facilitado o processo de infecção por bactérias do grupo da Xylella fastidiosa em uva ou citros. Com relação à dessecação da vegetação para a prática do plantio direto, também não se observou qualquer aumento da incidência de doenças na cultura implantada a seguir sobre a palha em decomposição (Embrapa, 2003). Portanto, com base nas informações acima referidas e nos resultados de produtividade obtidos nos ensaios de manejo de plantas daninhas em várias culturas, inclusive citros, podemos afirmar que o glifosato é um produto bastante seguro para as culturas nas quais é registrado, desde que observadas as condições de recomendação descritas em bula, não havendo qualquer relação entre o uso do mesmo e o aumento da susceptibilidade a doenças. A utilização desse princípio ativo por mais de trinta anos, em vários países e em sistemas agrícolas de maior sustentabilidade, como o plantio direto, tem confirmado a alta eficiência agronômica do glifosato em seus diversos usos.
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