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Roundup : Glifosato : Capítulo II


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Capítulo II

A Importância da Correta Aplicação do Glifosato para o Desenvolvimento e a Produtividade das Culturas

A ampla utilização do glifosato em várias culturas, incluindo as perenes, desde a sua instalação (pré-plantio) até a fase produtiva A ampla utilização do glifosato em várias culturas, incluindo as perenes, desde a sua instalação (pré-plantio) até a fase produtiva, temse mostrado vantajosa em relação a vários métodos de controle de plantas daninhas, inclusive a capina manual. Aspectos relacionados à toxicologia, ecotoxicologia, facilidade de manuseio, eficácia de controle, ganhos de produtividade etc. tornaram o produto líder mundial no controle de plantas daninhas.


O glifosato, por ser um herbicida não-seletivo e altamente eficiente, se utilizado de forma inadequada poderá ocasionar fitotoxicidade ou mesmo levar à morte as plantas de interesse econômico. Por outro lado, o uso do produto como maturador para cana-de-açúcar, aplicado em baixas doses conforme recomendação de bula, promove ganhos significativos de sacarose, sem qualquer efeito negativo sobre a cultura.

Em ensaio conduzido para se avaliar a movimentação do glifosato em frutíferas, Putnam em 1976 aplicou o produto em plantas jovens de maçã, pêra, cereja e pêssego. O autor observou que, quando o produto foi aplicado na região basal do tronco, houve injúria somente em mudas de pêssego recentemente transplantadas, chegando a causar a morte dos vasos, sem contudo danificar outras partes das mudas. Quando a aplicação foi realizada em ramos baixos de plantas de maçã, foram observadas injúrias localizadas, que não foram visíveis em outras partes da planta. Quando glifosato com carbono marcado foi aplicado na parte basal do tronco de maçã de 4 anos de idade e de pêra de 5 anos, não produziu radioatividade detectável em folhas, gemas ou frutas no período de colheita. Aplicações em folhas produziram radioatividade somente em tecidos tratados adjacentes e não em outras partes da planta. O glifosato com carbono marcado moveu-se prontamente das folhas tratadas dos ramos mais baixos para outras folhas, gemas e frutos em desenvolvimento no mesmo ramo, mas não foi detectável em outras áreas da planta. Esses resultados mostram que, em frutíferas em produção, as partes basais, mais passíveis de contato com o produto durante as aplicações, têm seu metabolismo mais restrito aos ramos.

A dinâmica do glifosato é de compreensão muito simples, ou seja, o produto atua muito bem como herbicida onde é aplicado e, desde que seguidas as recomendações da bula e respeitadas as boas práticas agrícolas para a pulverização, não apresentará efeito onde não foi aplicado, pois a molécula não se move no solo, por apresentar rápida e alta taxa de adsorção (Prata et al., 2000). Como já comentado anteriormente, a molécula não se move no solo. Assim, na eventual ocorrência de morte de ponteiros de árvores adultas, a causa pode estar relacionada a outros aspectos como, por exemplo, a deficiência nutricional, o ataque de pragas e doenças ou, ainda, as condições estressantes bióticas e abióticas do meio.

A segurança para as culturas, quanto ao uso do produto, pode ser atestada pelas áreas e culturas onde o glifosato é utilizado. Um importante exemplo são as áreas de plantio direto, que tiveram um crescimento bastante expressivo no mundo, sendo que atualmente só no Brasil já atingem aproximadamente 20 milhões de hectares. Esse crescimento da área de plantio direto é fundamentado em pesquisas científicas desenvolvidas por instituições públicas e privadas, demonstrando, nas condições brasileiras, o seu sucesso nos aspectos de preservação, sustentabilidade e aumento de produtividade, sendo que a maioria dessas áreas recebem mais de três aplicações de glifosato por ano, algumas delas há mais de 20 anos. É inegável que a adoção do plantio direto reduziu de forma expressiva as perdas de solo pelos processos erosivos laminar e eólico.

Outros trabalhos que refletem a segurança do uso do glifosato foram os desenvolvidos pela Embrapa (Carvalho et al., 1999) na cultura de citros no Nordeste, onde o produto foi avaliado por 9 anos consecutivos, em três diferentes localidades, considerando aplicações de glifosato na linha e entrelinha, associado ao plantio direto de leguminosas nas entrelinhas. Tal sistema possibilitou um incremento de produção de até 62,3% em relação ao manejo praticado pelos produtores onde não se utilizava o glifosato. Nessa mesma linha, Carvalho et al. (2003) conduziram por um período de 2 a 6 anos mais quatro trabalhos, em diferentes localidades do Estado de São Paulo. Nesses ensaios, aplicaram glifosato na dose de 1.080 g e.a./ha nas linhas de plantio, associado a diferentes sistemas de manejo nas entrelinhas, envolvendo inclusive o plantio direto de gramíneas ou leguminosas e roçada. Os resultados mostraram que os tratamentos onde se aplicou glifosato nas entrelinhas, com ou sem o plantio direto de leguminosa (feijão de porco), proporcionaram aumento médio de produção que superou de 4 a 10% os tratamentos em que, nas entrelinhas, a área foi mantida apenas roçada, ou se introduziu o plantio de uma gramínea (milheto), no período crítico de mato-competição da cultura. Nesses trabalhos, um dos principais fatores observados foi o aumento do sistema radicular e da atividade microbiológica do solo nas áreas onde se utilizou o glifosato na dose de 1.440 g e.a./ha (linha e entrelinha), associado ou não ao manejo de coberturas em sistema de plantio direto na entrelinha, em relação aos outros sistemas de manejo.

Esses mesmos autores (Carvalho et al., 2002b), em trabalho publicado no XXIII Congresso Brasileiro de Ciência das Plantas Daninhas (CBCPD), realizado em Gramado (RS) em 2002, compararam o sistema radicular de um manejo tradicional (capina na linha e grade na entrelinha) com um sistema de plantio direto de coberturas na entrelinha e glifosato na linha. Os resultados mostraram que no sistema normalmente utilizado pelo produtor a maior parte das raízes (76,9%) encontrava-se na camada superficial do solo (0-20 cm), enquanto no manejo de coberturas vegetais houve melhor distribuição do sistema radicular, observando-se um acréscimo de 102% na área radicular da planta cítrica nas ruas e de 46% nas linhas de plantio, passando de uma profundidade efetiva média de 40 cm no sistema tradicional para 80 cm no sistema avaliado.

 
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