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![]() ![]() É importante ressaltar que a presença de plantas daninhas resistentes em uma área é um fenômeno natural. O herbicida é apenas um agente de seleção dos indivíduos resistentes que normalmente se encontram em freqüência muito baixa. Christoffoleti et al. (2003) definem resistência como a capacidade natural e herdável de alguns biótipos, dentro de uma determinada população de plantas daninhas, de sobreviver e se reproduzir após a exposição à dose de um herbicida que seria letal a uma população normal (suscetível) da mesma espécie. Fica muito claro por esse conceito que não é o herbicida que cria um biótipo resistente, mas que ele já existe no ambiente e se deve à ampla variabilidade genética das plantas daninhas, uma das principais características que lhes permite se adaptar e sobreviver em diversas condições ambientais e do agroecossistema (Christoffoleti et al., 2003). O que ocorre nesse processo é que o herbicida elimina os indivíduos suscetíveis, e a sua utilização de forma sistemática e intensiva como fator de seleção cria um ambiente favorável ao crescimento da população dos biótipos resistentes, ou seja, o herbicida não é o agente causador, mas sim o selecionador dos indivíduos resistentes. Esse processo vem ocorrendo na agricultura desde a mais remota antiguidade em razão das práticas agrícolas imposta pelo homem. A monda, por exemplo, selecionou gramíneas aquáticas na cultura do arroz e acabou favorecendo um biótipo com aparência morfológica similar em sistema inundado, como é o caso da Echinochloa crusgalli (capimarroz). Outro exemplo é que o preparo de solo convencional praticamente eliminou espécies que possuíam pouca capacidade de dormência das sementes ou dos propágulos vegetativos, e o plantio direto as trouxe de volta, como é o caso de Erigeron canadensis, Digitaria insularis, Cissampelos glaberrima e outras plantas que ocorrem no sistema de plantio direto realizado nas áreas de cana colhidas sem queimar (cana-crua) (Pitelli, 2004). Na década de 1980, a região agrícola do sul do Brasil experimentou uma poderosa seleção de flora pelo uso continuado das mesmas combinações de herbicidas, na mesma seqüência de culturas (sojamilho). Nesse modelo agrícola, as populações de Brachiaria plantaginea e Euphorbia heterophylla atingiram densidades que prejudicavam decisivamente a agricultura de grãos. Na década de 1990, a introdução de modernos herbicidas parecia ser a solução para o controle das altas populações de Brachiaria plantaginea e Euphorbia heterophylla, que prejudicavam decisivamente as culturas de soja e milho. Porém, o que se viu dentro de pouco tempo foi o desenvolvimento de grande número de subpopulações de Bidens pilosa, Euphorbia heterophylla, Sagittaria motevidensis, etc. resistentes aos herbicidas inibidores da ALS e de Brachiaria plantaginea e Digitaria ciliaris resistentes aos inibidores de ACCase (Christoffoleti et al., 2003), herbicidas muito mais recentes e de uso mais restrito que o glifosato no Brasil. A resistência ao glifosato é um evento muito raro de ocorrer e muito menos freqüente se comparado com outros grupos de herbicidas; isso se deve a fatores como propriedade química da molécula, ao mecanismo de ação único e também à ausência de atividade residual no solo. O produto apresenta alta eficácia de controle e os resultados insatisfatórios decorrem basicamente de razões agronômicas como erros de aplicação ou condições ambientais desfavoráveis. Depois de quase três décadas de larga utilização nas principais regiões agrícolas produtoras do mundo, a resistência ao glifosato até hoje foi confirmada apenas em biótipos de quatro espécies de plantas daninhas: Lolium rigidum (Austrália, África do Sul e Estados Unidos); Lolium multiflorum (Chile e Brasil); Eleusine indica (Malásia) e Conyza canadensis (Estados Unidos) (Weed Science, 2003). Das quatro espécies relatadas, três ocorreram em áreas onde não se plantava culturas geneticamente modificadas (tecnologia Roundup Ready). Em todas as áreas, os biótipos resistentes têm sido eficientemente controlados por meio de produtos químicos ou práticas culturais, porém o glifosato continua sendo o principal tratamento herbicida por causa de sua alta eficácia no controle das demais espécies presentes. As recomendações básicas para manejo de plantas daninhas com glifosato incluem: Programa de controle sustentado em práticas agronômicas mais indicadas para cada região, procurando Assegurar que a dose recomendada em bula seja a dose efetivamente aplicada, ou seja, utilizar a dose Acompanhar casos de baixo desempenho para a correta avaliação e solução do problema.
Na realidade é impossível prever quando ou onde aparecerão novos casos de resistência, mas o fato é que eles são muito raros com o glifosato. Nas regiões onde a tecnologia de culturas geneticamente modificadas para resistência a glifosato já foi aprovada há alguns anos, o uso contínuo do produto, aplicado na dose certa e mesclado com produtos que apresentam outros modos de ação, tem proporcionado excelente controle das plantas daninhas, sem a observação de ocorrência de nenhum caso de resistência até o momento. Programas de controle fundamentados em sistemas de produção adequados e na utilização de doses corretas e aplicadas no momento certo levarão a resultados seguros, reduzindo, assim, a possibilidade de desenvolvimento de biótipos resistentes.
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