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Manejo de resistência de insetos


A ampla variabilidade genética é uma das principais características das plantas daninhas que permite a adaptação e a sobrevivência dessas espécies em diversas condições ambientais e do agroecossistema. A principal ferramenta utilizada pelos produtores no controle destas são os herbicidas. E devido à utilização intensiva nas últimas décadas, algumas populações de plantas daninhas foram selecionadas em resposta ao distúrbio ambiental provocado pela pressão de seleção dos herbicidas, com a seleção de biótipos resistentes. Entre as principais conseqüências da resistência pode-se citar a restrição ou inviabilização da utilização dos herbicidas, as perdas de rendimento e qualidade dos produtos agrícolas e os maiores custos com o controle.

A resistência de plantas daninhas a herbicidas é a capacidade natural e herdável de alguns biótipos, dentro de uma determinada população, de sobreviver e se reproduzir após a exposição à dose de um herbicida, que seria letal a uma população normal (suscetível)
da mesma espécie (Christoffoleti e López-Ovejero, 2008).

A utilização de plantas resistentes a insetos e que possuem a inserção de genes isolados a partir da bactéria entomopatogênica Bacillus thuringiensis Berliner (Bt) tem sido crescente na agricultura mundial.B. thuringiensis é um microorganismo (bactéria), que ocorre praticamente em todos os tipos de solos. O Bt durante a sua fase de esporulação produz esporos e cristais protéicos os quais contém proteínas inseticidas com ação específica sobre determinados grupos de insetos. A inserção em plantas destes genes de Bt permite a produção proteínas (e não dos cristais) que possuem ação inseticida, e que, portanto protegem as plantas Bt contra o ataque de determinadas espécies de insetos pragas. As plantas Bt representam uma tática adicional de proteção de plantas nos programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP). É importante ressaltar que a atividade das proteínas de Bt é específica e seletiva aos inimigos naturais. Estas características fazem com que as plantas Bt sejam compatíveis com os princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Entretanto, no contexto agrícola a resistência de insetos a táticas de controle ou de proteção ao ataque de pragas tem sido identificada como uma das mais sérias ameaças ao desenvolvimento, implementação e manutenção de práticas de MIP. Uma das explicações para a evolução e o estabelecimento da resistência no campo está no fato de que a maioria das práticas de manejo de pragas, tais como o uso plantas resistentes a insetos (plantas Bt), são desenvolvidas com o objetivo de reduzir a população da praga mediante o aumento da mortalidade ou da diminuição da fecundidade dos insetos. Deste modo, desde que existam diferenças na sobrevivência e ou na fecundidade entre os indivíduos que compõe a população de uma praga, após a utilização de uma destas práticas de manejo, pode ocorrer a seleção de insetos resistentes a táticas de controle ou proteção. Portanto, desde que exista significativa variabilidade na população de insetos com relação a quaisquer características fisiológicas ou comportamentais as quais possam sobrepujar os agentes de controle, torna-se um processo inevitável a seleção dos insetos praga mais bem adaptados, e deste modo mais difíceis de serem controlados. Desta forma, com o uso incorreto de uma tática de manejo de pragas e a continua seleção dos indivíduos resistentes, a frequência de resistência pode alcançar níveis elevados, nos quais o desempenho da medida de proteção de pragas é comprometido devido à resistência.

Os insetos alvo das plantas Bt e que são naturalmente resistentes podem sobreviver no campo e transmitir a resistência para gerações futuras. Entretanto, o risco de estabelecimento da resistência pode ser minimizado com a adoção de medidas apropriadas. O Manejo de Resistência de Insetos (MRI) pode ser definido como o conjunto de medidas que devem ser adotadas com o objetivo de evitar e/ou reduzir o risco da evolução da resistência na população das pragas alvo. A melhor maneira de preservar os benefícios das plantas Bt é implementar a área de refúgio como ferramenta do de MRI.

A área de refúgio consiste no plantio de plantas não-Bt como parte da área a ser plantada com a planta Bt. O objetivo do refúgio é preservar a eficiência e consequentemente os benefícios das plantas Bt por meio da manutenção de uma população da praga alvo sem a exposição às plantas Bt e, portanto sensível às proteínas, com efeito, inseticida. Assim, em teoria os indivíduos da praga e que se desenvolveram no refúgio irão acasalar com qualquer indivíduo resistente que possa ter sobrevivido na lavoura e desta forma transmitir a suscetibilidade ao Bt para as gerações futuras da praga alvo. O refúgio funciona com uma fonte de indivíduos suscetíveis. Com a preservação da característica de suscetibilidade, a proporção inicial de indivíduos suscetíveis e resistentes dentro da população é mantida e desta forma será prevenido o estabelecimento de populações resistentes da praga, e preservada a tecnologia Bt.