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Matéria prima: Glifosato


Capítulo IX

Segurança para o Homem e para o Meio Ambiente Segurança para o Homem e para o Meio Ambiente

A propriedade herbicida dessa molécula foi descoberta pela Monsanto em 1970 e a primeira formulação comercial foi lançada nos Estados Unidos em 1974, com o nome comercial de Roundup. Hoje ela é utilizada em mais de 130 países, sendo aplicada para controle de plantas daninhas nas áreas agrícolas, industriais, florestais, residenciais e ambientes aquáticos, de acordo com os registros obtidos em cada país.

O glifosato é uma das moléculas mais eficientes já introduzidas no mercado para controle de plantas daninhas e por isso seu uso continua em expansão em todas as principais áreas agrícolas do mundo.

O herbicida glifosato foi o principal responsável pela adoção mundial de práticas agrícolas como o plantio direto e também possibilitou um grande avanço na produção mundial de alimentos com a introdução de culturas geneticamente modificadas, tolerantes ao glifosato.

Devido principalmente à sua alta eficácia no controle de plantas daninhas e às propriedades ambientais favoráveis – forte fixação aos solos e rápida degradadação por microrganismos em compostos naturais - o glifosato é a melhor escolha para o controle de plantas daninhas. Nos Estados Unidos e em outros países, herbicidas à base de glifosato estão entre os poucos autorizados para uso em jardinagem, assim como ocorre na internacionalmente conhecida reserva ecológica de Galápagos e nas ruínas de Pompéia, na Itália.

O glifosato é uma das moléculas herbicidas mais estudadas mundialmente em termos de segurança ambiental e saúde humana e possui uma das maiores bases de dados solicitados a respeito de pesticidas (Williams et al., 2000; Giesy et al., 2000). Esses dados têm sido avaliados e reavaliados por inúmeros e rigorosos testes conduzidos ao longo de vários anos pelas principais agências regulatórias e organizações científicas mundiais (United States Environmental Protection Agency – US EPA., 1993; European Commission - EC, 2002; Health Canadá, 1991; World Health Organization - WHO, 1994), que concluíram que o glifosato não possui propriedades carcinogênicas, mutagênicas, teratogênicas ou que causem qualquer problema reprodutivo. Além disso, dados de laboratório e de campo indicam baixa toxicidade e baixo risco para a vida selvagem na exposição direta ao glifosato e suas formulações (US EPA, 1993).

No Brasil, a linha Roundup® de herbicidas a base de glifosato da Monsanto encontra-se devidamente registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA para fins agrícolas e no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA do Ministério do Ministério do Meio Ambiente para fins não agrícolas. Os registros são concedidos com base nas avaliações agronômicas, toxicológicas e ambientais realizadas pelo MAPA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA do Ministério da Saúde e IBAMA, respectivamente, em conformidade com a Lei no 7.802, de 11 de julho de 1989, regulamentada pelo Decreto no 98.816, de 11 de janeiro de 1990, este substituído pelo Decreto no 4.074, de 4 de janeiro de 2002 e Portarias e Instruções Normativas pertinentes.

Os órgãos governamentais, tanto internacionais como nacionais, exigem avaliações de resíduos em produtos agrícolas para a obtenção dos registros de uso de agrotóxicos.

No Brasil, a legislação de agrotóxicos em vigor representa um grande avanço nessa área, o que contribuiu para que o país pudesse se ajustar às exigências de qualidade internacionais para produtos agrícolas. O Ministério da Saúde, através da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicou normas e tem a competência de monitorar resíduos de agrotóxicos e estabelecer o limite máximo de resíduo para um determinado produto ser utilizado nas culturas.

Atendendo a essas exigências regulatórias, a Monsanto realizou ensaios supervisionados de resíduos em todas as culturas para as quais tem seus produtos registrados. Em café e citros, por exemplo, a somatória das doses de glifosato utilizadas chegou a 12,96 kg/ha de equivalente ácido de glifosato, fracionadas em três aplicações de 4,32 kg/ha, realizadas aos 90, 60 e 30 dias antes da colheita dos frutos para as análises de resíduos. As análises foram realizadas em laboratórios credenciados nas redes oficiais da Anvisa e/ou do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: Instituto Adolfo Lutz (SP); Embrapa/Meio Ambiente, Jaguariúna (SP); Unicamp, Campinas (SP); e CEPPA, Curitiba (PR). Os resultados das análises realizadas por esses laboratórios, segundo metodologia validada internacionalmente, apresentaram valores de glifosato abaixo do nível de quantificação do método analítico-laboratorial. Tais resultados estão em conformidade com o limite máximo de resíduo de glifosato estabelecido pelo Ministério da Saúde na respectiva monografia do produto, que é 0,2 mg/kg para citros e de 1,0 mg/kg para café, o que demonstra que o produto não foi absorvido e translocado pelas plantas dessas culturas, nas doses utilizadas nos experimentos.

Portanto podemos dizer que quando utilizado de acordo com as recomendações de bula, o glifosato não representará risco à saúde humana ou ao meio ambiente.