Entre 13 e 22 de junho, o setor agrícola brasileiro participou ativamente de vários eventos paralelos da Conferencia das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. E a Monsanto, em linha com seu compromisso global de produzir mais, conservar mais e melhorar vidas, esteve presente nas principais discussões relacionadas à sustentabilidade no agronegócio. O estande da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), instalado no Píer Mauá com a parceria da Monsanto, foi de extrema importância por mostrar ao público o que o setor agrícola tem feito para atender a demanda de alimentos, conservando cada vez mais recursos naturais. Outro destaque foi a apresentação, durante o evento Dia da Agricultura (em 18/6), dos indicadores do uso de recursos naturais na agricultura pela Iniciativa “Do Campo ao Mercado”, capitaneada pelo Instituto do Agronegócio Responsável (ARES) e pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), com suporte técnico do ICONE e apoio da Monsanto. Também estivemos presentes nos diálogos sobre segurança alimentar, em painéis sobre melhores práticas e oportunidades tecnológicas na agricultura, na apresentação do estudo “A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade” (TEEB), desenvolvido em parceria com a ONG Conservação Internacional (CI-Brasil), e no lançamento do Visão Brasil 2050, documento produzido pelo CEBDS com participação do setor privado, que vislumbra o caminho para um futuro sustentável.
No geral, foram mais de 500 eventos paralelos organizados por empresas privadas, terceiro setor e governos, além das reuniões das 193 delegações que discutiram o texto oficial resultante da conferência. Para a Monsanto, a agenda foi intensa e acompanhada de parceiros da cadeia agrícola, pesquisadores e ONGs, sempre com foco em avaliar soluções já utilizadas e buscar a melhor forma de enfrentar os desafios de produzir mais e conservar mais. Nesse sentido, a participação do setor privado, como um todo, foi o grande diferencial positivo da Rio+20, quando comparado com a Eco-92.
No que tange a área agrícola, se por um lado – com relação ao resultado oficial – ficou no ar certa decepção pela falta de metas mais específicas e definições sobre o que é “sustentável”, por outro, a proposta final contempla as diversas alternativas de produção e demonstra o entendimento de que a tecnologia precisa fazer parte do processo produtivo, de forma a reduzir os impactos no meio ambiente e produzir ainda mais. O que se viu nas inúmeras discussões, que envolveram os diversos atores sociais, foi uma busca por soluções possíveis para viabilizar a produção necessária, sem aumento de área plantada. Longe de encontrar uma “alternativa mágica”, talvez esperada por muitos, o texto aprovado é uma visão que reflete toda a sociedade que esteve ali representada. Em linha, inclusive, com o documento Visão 2050, lançado inicialmente pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e que tem agora uma versão adaptada para o Brasil, pelo CEBDS.
Para alcançarmos a eliminação da miséria, manutenção das florestas e aumento de produção, fica evidente que todos são necessários. O momento é agora. Parcerias são, mais do que nunca, necessárias e indicadores devem monitorar esse processo. Nesse cenário, a valoração da biodiversidade passa a ser estratégica para o setor agrícola, assim como o envolvimento de toda a cadeia produtiva e dos demais setores para o estabelecimento de medidas que levem a uma agricultura sustentável. A iniciativa “Do Campo ao Mercado” é um excelente exemplo dessa união de esforços e já mostra os primeiros resultados.
Para o pós Rio+20, fica a urgência de darmos continuidade ao trabalho junto aos diversos setores na medição, de forma transparente, da produtividade, do uso da biodiversidade como um todo, além dos impactos sociais relacionados à produção agrícola de cada país. O melhor gerenciamento apenas é possível com medidas e com o envolvimento da sociedade. Esse é o legado e a lição de casa deixados pela Rio+20.
*Gabriela Burian, engenheira agrícola (1989) com especialização em Gestão da Sustentabilidade (2009) pela Unicamp, doutorado em Forestry – Universite Laval (1996), no Quebec, Canadá, e mestrado na Université de Sciences et Techniques de Languedoc (USTL), em Montpellier, França (1992), é gerente de Sustentabilidade da Monsanto do Brasil desde 2008.







