Newsletter Monsanto em Campo - Julho | 2008 | edição XXII | Ano IV  
 
Milho terá variedades tolerantes ao estresse hídrico

Tendências

Biotecnologia ajuda agricultura a superar condições ambientais adversas

Tecnologia de tolerância ao estresse hídrico será opção para lavouras que sofrem com condições climáticas adversas

Em tempos de aquecimento global e uso intensivo de água, é preciso pensar em soluções futuras para a agricultura, que pode ser afetada pelas modificações climáticas e a escassez desse recurso.

Recente relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), divulgado pela OMM (Organização Meteorológica Mundial), prevê que a temperatura global aumentará, nos próximos 100 anos, entre 1,4° C e 5,8° C, levando-se em conta a média de 1990.

O setor agrícola deverá ser um dos mais atingidos por estas mudanças, já que depende diretamente do ciclo normal das estações do ano. Excessos de chuvas, longos períodos de estiagem, alagamentos, ventos fortes e furacões - previstos no documento do IPCC – significarão prejuízos para a produção agropecuária. Os conhecimentos sobre as épocas de plantio e os manejos de cada cultura serão abalados. A floração do milho, por exemplo, coincide com o período das chuvas e precisa da umidade para se desenvolver. Com a tendência de aumento do período de estiagens, a fecundação dos grãos fica comprometida.

E a água pode se tornar uma verdadeira commodity, já que, além de sua disponibilidade ser influenciada pelo aquecimento global, sua escassez é prevista e sua demanda é elevada. De acordo com o Programa Ambiental das Nações Unidas, o uso agrícola da água representa cerca de 70% do consumo total, principalmente por conta da irrigação de lavouras. Segundo dados da International Water Managment Institute (Instituto Internacional de Gerenciamento de Água, IWMI, na sigla em inglês), o aumento da urbanização e o crescimento econômico significam que a demanda per capita por alimentos vai aumentar, implicando no aumento do consumo de água.

O total de água usada na produção agrícola a cada ano pode subir dos 7,2 mil quilômetros cúbicos para 13,5 mil quilômetros cúbicos até 2050. Destinar mais deste bem para a agricultura para responder ao crescimento na demanda por alimentos pode significar um preço alto para o meio ambiente.

Neste cenário, a biotecnologia vem se mostrando uma opção eficaz no combate ao estresse hídrico (quando a quantidade de umidade no solo não satisfaz às necessidades da lavoura), uma vez que o desenvolvimento e a introdução de sementes híbridas, que precisam de menos irrigação, podem reduzir os custos de produção e a concorrência pelo uso da água.

Para a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), por exemplo, a mudança genética das plantas será um importante recurso para que elas possam, no futuro, suportar o calor. Em outras palavras, biotecnologia será sinônimo de sustentabilidade.

Tolerantes ao estresse hídrico

A linha de desenvolvimento de plantas geneticamente modificadas da Monsanto está focada na adaptação ao estresse ambiental, incluindo plantas tolerantes a estresse hídrico e genes com a eficiência de utilização de nitrogênio. As novas tecnologias estão sendo pesquisadas para fornecer maior estabilidade de rendimento nos anos em que as plantações normalmente sofreriam por condições de escassez de água, por exemplo. A eficiência do uso do nitrogênio vai contribuir para aumentar ou manter alta produtividade com menos quantidade de nitrogênio, contribuindo para a redução do custo de produção e para a preservação ambiental. O nitrogênio é um macronutriente fundamental para a produtividade das plantas, e cuja produção é cara. Ao contribuir para produzir mais na mesma área, a biotecnologia reduz o impacto ambiental da atividade agrícola.

No início de 2008, a Monsanto anunciou o status de seus principais projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novas tecnologias agrícolas. Mereceu destaque, na ocasião, o fato de que a primeira geração do milho tolerante ao estresse hídrico está hoje na fase 3, em desenvolvimento avançado, tornando-o o primeiro projeto atual a passar para a etapa de início do processo de deregulamentação nos EUA.

Em março, decididos a pesquisar variedades resistentes à rigidez do clima árido, os governos do Quênia, Uganda, Tanzânia e África do Sul uniram esforços e acabam por criar o programa Milho Eficiente para a África (WEMA, na sigla em inglês). A iniciativa público-privada, que já recebeu US$ 47 milhões das fundações Bill & Melinda Gates e Howard G. Buffett, envolve a Monsanto, a Fundação Africana de Tecnologia Agricultural (AATF) e o Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (CIMMYT).

O programa pretende levar as vantagens da biotecnologia especialmente aos pequenos produtores dos países envolvidos, contribuindo assim para o desenvolvimento social e o combate à pobreza. Um dos compromissos da Monsanto no WEMA é dispor sua tecnologia sem a cobrança de royalties. Além disso, a companhia vai contribuir com bancos de germoplasma de suas várias unidades; doação de genes de tolerância à seca, já testados e identificados em outros estudos científicos; aplicação de DNAs marcadores na condução das pesquisas, que posteriormente se tornarão de domínio público por meio do CIMMYT; e expertise no desenvolvimento biotecnológico.

 
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