 |
| Mariana Cersósimo, da Monsanto, diz que serão 64 vagas para as cidades de São Paulo, São José dos Campos (SP) e Uberlândia (MG) |
|
Recursos Humanos
Inclusão sem distinção
Monsanto inicia programa de seleção e capacitação de portadores de deficiência
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 14,5% da população brasileira é formada por portadores de algum tipo de deficiência física. A maioria das mais de 25 milhões de pessoas que se enquadram nessa realidade mora em área urbana, quase a metade (48%) ocupa a posição de chefe de família, tem até três anos de escolaridade e é mulher. As estatísticas do IBGE apontam que pessoas com deficiência têm, em média, um ano a menos de estudo em relação à média (21,6% nunca foram à escola).
Consciente das dificuldades que os portadores de deficiência têm para se inserir no mercado de trabalho, a Monsanto iniciou um programa de seleção e treinamento. O objetivo é oferecer uma oportunidade gratuita de capacitação profissional para aqueles que desejam aprimorar conhecimentos e ingressar no mercado de trabalho em áreas administrativas. A consultoria Gelre, especializada em recursos humanos, está assessorando a empresa neste processo.
São 64 vagas para as cidades de São Paulo, São José dos Campos (SP) e Uberlândia (MG), respectivamente no escritório central da empresa, fábrica e unidade de produção de sementes. Os selecionados estarão empregados pela Monsanto, com contrato determinado de um ano, e receberão salário e benefícios no período. “Passado o prazo, os contratos poderão ser prorrogados, assim que surgirem novas oportunidades", explica Mariana Cersósimo, gerente de Desenvolvimento de Talentos da Monsanto.
Parcerias
A capacitação dos profissionais com necessidades especiais ficará sob responsabilidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que já treinou mais de 34 mil pessoas em todo o Brasil nos últimos nove anos. “Levantamos as competências técnicas necessárias para compor o programa de treinamento em conjunto com cada empresa antes da chegada dos candidatos em nossas unidades”, explica Samuel Ramalho, um dos agentes de treinamento do Senai em São Paulo. Ao final do curso, os selecionados deverão estar preparados para praticar rotinas administrativas, aplicar conceitos e conhecimentos necessários à mudança de atitudes e novas posturas de atendimento e relacionamento utilizando noções básicas de informática (Windows, Word, Excel e Power Point).
“Buscamos atender às necessidades dos clientes durante a seleção, mas há dificuldade em formar turmas porque muitos portadores de deficiência estão fora do mercado de trabalho há muito tempo", diz Ana Maria Olivo, consultora de operações administrativas da Gelre.
Diversidade é estratégica
A Monsanto acredita na valorização da diversidade do capital humano e tem discutido e trabalhado internamente para ampliar a inclusão em seu quadro. Essa meta, na subsidiária da empresa no Brasil, está estruturada através de um comitê que discute, além de deficiência física, aspectos como gênero, etnia e idade, entre outros, com a intenção de implementar ações voltadas à acessibilidade, capacitação, recrutamento e desenvolvimento de carreira. “Portanto, estamos formando mão-de-obra qualificada para atender à demanda, não só da nossa empresa, como do próprio mercado”, destaca Ana Marchi, diretora de RH da Monsanto.
Vontade, dedicação e comprometimento dos participantes com o programa estarão entre os principais requisitos que serão avaliados durante a capacitação. “Essa turma será o nosso piloto. Ainda é cedo para falarmos em próximas turmas. Queremos primeiramente trabalhar para o sucesso desta, aprender com o processo, e então iniciar um novo planejamento”, diz a gerente de desenvolvimento de talentos da Monsanto.
“A parceria com grandes empresas como a Monsanto comprova que, mais do que cumprir uma lei, a capacitação de deficientes físicos direciona na revelação de talentos até então marginalizados pela falta de boas oportunidades de trabalho na sociedade”, afirma Fátima Silva, gerente de responsabilidade social da Gelre. |