Setembro | 2011 | Edição XXXXI | Ano VI
   Artigo

As perspectivas do milho no Brasil

* Por Alysson Paolinelli


Paolinelli: "Precisamos nos organizar como produtores de milho, da mesma forma que outras áreas de produção já se organizaram"

O milho, um dos mais importantes cereais do mundo, tem feito a riqueza de muitos povos. Desde a sua descoberta, diversos países se interessaram pelo seu cultivo, procurando tratá-lo com bases científicas e tecnológicas, e melhorando a produtividade com inovações que foram capazes de torná-lo um excelente negócio. Espalhou-se pelo mundo inteiro, mas, há de se reconhecer, foi nas regiões temperadas que ele mais evoluiu e conquistou maior espaço. China, Europa, Estados Unidos e Canadá foram os que mais dele se valeram e tornaram-se campeões mundiais em produtividade.

Já nos países tropicais, nos últimos anos, o milho vem conquistando a duras penas o seu espaço. É o caso do milho brasileiro, que só começou a ser realmente reconhecido após a Embrapa, outras instituições científicas e universidades dedicarem estudos ao produto. As grandes empresas internacionais passaram a ver a importância do milho nesta região, onde procuraram se instalar e contribuir fortemente para o desenvolvimento da cultura. Hoje, elas prestam um inequívoco apoio, especialmente na introdução de novas tecnologias e no avanço científico desta cultura nas mais variadas regiões brasileiras.

As grandes empresas, que estão presentes em todo o mundo com suas experiências e seus centros de pesquisa, têm feito o papel de vetores na internacionalização do conhecimento mais avançado das tecnologias de ponta, altamente disputadas. Não permitem, assim, que o nosso país fique atrás em termos de conhecimento científico e tecnológico do que se passa em outras partes do mundo. Especialmente com o advento da biotecnologia e da transgenia, hoje podemos ter o que o mundo tem ao mesmo tempo e com a mesma eficiência para que não percamos as nossas possibilidades nos mercados internacionais.

Convém realçar aqui o recente lançamento do VT PRO2, pela Monsanto. Uma das mais avançadas tecnologias para milho de que se tem conhecimento no mundo já está à disposição do produtor brasileiro, que poderá usá-la da mesma forma que os competidores de outros países. É preciso ressaltar também que essas grandes empresas estão aqui no Brasil, com suas aparelhadas estações experimentais e seus excelentes cientistas e pesquisadores, procurando criar "in loco" inovações tão importantes quanto as internacionais.

Assim como nós, elas sabem que, enquanto nas regiões temperadas do globo existem 'janelas' limitantes de plantio – que variam no máximo 12 dias no ano e que, qualquer plantio fora desse período pode gerar perdas de produtividade fatais –, o Brasil é capaz de produzir o ano todo, como se a nossa janela fosse de 12 meses e não de 12 dias. Com o milho, por exemplo, podemos ter a safra de verão, a safrinha e mesmo a safra de inverno com um desenvolvimento normal e uma produção competitiva. Essas vantagens comparativas são, para nós, o grande "gap" que nos proporciona maiores possibilidades de conquista dos mercados internacionais.

É por isso que estamos preocupados que as nossas lavouras de milho não fiquem a reboque de outras culturas, mas que elas se transformem aqui, em um país tropical, nas mais pujantes produções mundiais. Temos clima, terras, tecnologias e conhecimento suficientes. Temos também água e pessoas capazes de promover essa verdadeira revolução que o mundo faminto tanto deseja.

Precisamos nos organizar como produtores de milho, da mesma forma que outras áreas de produção já se organizaram, e levar as nossas sugestões, pleitos e programas específicos para as nossas áreas aos diversos fóruns onde se façam necessários. Temos confiança de que é chegado o momento. Todos os interessados têm de estar irmanados nessa importante tarefa, que não pertence isoladamente a ninguém, mas em conjunto há de pertencer a este país, que nasceu para ser grande e não há de ser os seus filhos que o farão pequeno.

* Alysson Paolinelli é presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho). Engenheiro agrônomo, foi Ministro da Agricultura e Secretário da Agricultura de Minas Gerais.

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