
Jesus Madrazo, VP de Negócios da área Internacional da Monsanto Company, Pedro Arraes, presidente da Embrapa, e André Dias, presidente da Monsanto do Brasil
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Fundo de Pesquisa Embrapa e Monsanto recebe, a título de royalties, verbas para projetos voltados à biotecnologia pelo quarto ano consecutivo
A Monsanto destinará recursos, a título de royalties, para oito projetos de pesquisa da Embrapa, todos de biotecnologia voltados para a agricultura nacional. Entre as pesquisas beneficiadas estão desenvolvimento de recursos genéticos de cereais adaptados à seca, de planta transgênica de feijão tolerante ao estresse hídrico, geração de mamoeiro resistente a múltiplas viroses e estudos envolvendo o bicudo do algodoeiro.
O anúncio aconteceu em 4 de novembro durante cerimônia realizada na sede da entidade, em Brasília (DF), com o repasse, por parte da Monsanto, de R$ 8,3 milhões para o Fundo de Pesquisa Embrapa e Monsanto. Os valores são provenientes do compartilhamento dos direitos de propriedade intelectual, a título de royalties, sobre a comercialização de variedades de soja da Embrapa com a tecnologia Roundup Ready® na safra 2008/2009. Os recursos serão aplicados em projetos de pesquisa da Embrapa, escolhidos por meio de um comitê gestor do Fundo de Pesquisa que a Monsanto mantém em parceria com a entidade.
De 2006 até este ano a Monsanto já repassou ao Fundo de Pesquisa aproximadamente R$ 20 milhões que beneficiaram dezenas de projetos em biotecnologia de diversas unidades da Embrapa.
O vice-presidente de Negócios da área Internacional da Monsanto Company, Jesus Madrazo, veio ao Brasil para prestigiar o evento. “A Monsanto e a Embrapa estão unidas pela inovação na agricultura. Esta parceria abre caminho para o desenvolvimento de outras tecnologias que podem resultar em aumento de produtividade nas lavouras. Nosso objetivo global é desenvolver parcerias como essa em prol de soluções agrícolas sustentáveis que beneficiem os produtores.”
De acordo com André Dias, presidente da Monsanto do Brasil, esta parceria com a Embrapa confirma o compromisso da empresa com a agricultura e os produtores. “Nossos investimentos para a agricultura estão voltados no desenvolvimento de tecnologias agrícolas que possam aumentar a produtividade, preservando os recursos naturais e que proporcionem melhora na vida dos agricultores. Em alinhamento a esse foco, sentimos um imenso orgulho em termos como parceiros a Embrapa, referência mundial no desenvolvimento de pesquisas agrícolas.”
Para a Embrapa, a parceria com a Monsanto é estratégica. “Acordos como este, voltados para a pesquisa agrícola e a inovação, são fundamentais e estão alinhados com as prioridades do governo, no sentido de reunir os setores público e privado no enfrentamento do desafio global de aumentar a produtividade agrícola de maneira sustentável”, completa o diretor-presidente da Embrapa, Pedro Antônio Arraes Pereira.
Projetos beneficiados
Os recursos da Monsanto contemplarão os seguintes projetos de pesquisa da Embrapa:
- Expressão de genes envolvidos com a resposta ao estresse hídrico em plantas transgênicas de feijoeiro. O objetivo é a obtenção de plantas transgênicas de feijão tolerantes à seca, por meio da expressão de um gene isolado da soja e outro da mamona.
- Plataforma tecnológica para a expressão e a produção de proteínas recombinantes em plantas. O foco de atuação da plataforma será a expressão e a produção de proteínas de interesse da área médica e da agricultura em plantas como soja, por exemplo.
- Fenotipagem, avaliação de mecanismos de tolerância e associação genômica aplicadas ao desenvolvimento de recursos genéticos de cereais adaptados à seca. O trabalho terá como objetivo identificar e caracterizar recursos genéticos e mecanismos fisiológicos e moleculares de tolerância à seca em arroz, milho, trigo e sorgo, avaliados em condições de campo.
- Estudo do transcritoma do bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis) e da broca gigante (Telchin licus licus) para avaliação de genes candidatos a silenciamento por RNAi. O projeto buscará, por meio da transgenia de plantas, o controle dessas duas importantes pragas que afetam a agropecuária nacional.
- Desenvolvimento de estratégia baseada em RNAi para geração de mamoeiro resistente a múltiplas viroses. Este projeto visa ao desenvolvimento de novas linhagens de mamoeiros resistentes simultaneamente aos vírus da mancha anelar, do amarelo letal e o da meleira (principais doenças da cultura) utilizando ferramentas da biotecnologia.
- Aperfeiçoamento do sistema de manejo de Diabrotica spp. nas culturas do milho e batata. Serão criados métodos de estudo e manejo para os organismos geneticamente modificados (OGM), como monitorar em laboratório as populações de insetos quanto à suscetibilidade ao produto comercial.
- Caracterização morfológica e molecular de populações de Noctuideos e determinação da suscetibilidade a inseticidas e toxinas de Bacillus thuringiensis. O monitoramento é essencial nos programas de manejo de pragas para verificar se a ineficiência do controle químico é devida à seleção de genótipos resistentes ou ainda determinar a condição real da resposta das populações geográficas a um inseticida (ou toxina) e definir se existe a necessidade de modificar as táticas de manejo.
Além disso, parte da verba será direcionada ao aporte no Programa de Desenvolvimento de linhagens de soja geneticamente modificadas com os genes Bt e RR2, concomitante à elaboração de um programa de contenção e rastreamento – “Stewardship”, já em execução pela Embrapa Soja, e para o gerenciamento e acompanhamento das atividades voltadas à execução dos trabalhos. |