Novembro| 2009 | Edição XXX | Ano IV
   Agricultura

Sabores nordestinos conquistam mercado estrangeiro


Como a maior parte da produção nordestina é para exportação, a divisão de Sementes de Frutas e Hortaliças da Monsanto desenvolve produtos com boa preservação pós-colheita

Clima, boas práticas agrícolas, a localização estratégica - perto da Europa e dos Estados Unidos - transformaram a região na maior exportadora de frutas do Brasil

Bahia, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte são responsáveis por 64% das exportações brasileiras de frutas. O País exportou 496,4 mil toneladas de frutas frescas, num valor total de US$ 313,8 milhões, de janeiro a setembro deste ano, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio Exterior (Secex/MDIC).

São muitas as razões que dão a algumas áreas do Nordeste lugar de destaque na produção de frutas e nas vendas ao mercado internacional: clima, solo e disponibilidade de água, além de ser uma produção de alta tecnologia. A proximidade dos portos nordestinos aos principais mercados consumidores, Europa e América do Norte, é outro fator de competitividade importante no comércio de alimentos perecíveis, segundo indica a Embrapa, em material produzido sobre fruticultura na região.

Manga, melão, uva, mamão, abacaxi e banana são as principais frutas exportadas pelo Brasil. “O Nordeste se especializou na produção de frutas, principalmente manga, uva e melão, pois apresenta condições climáticas favoráveis com altas temperaturas, que permitem uma produção contínua durante o ano. Além disso, os produtores usam modernas técnicas de irrigação”, afirma Cloves Ribeiro Neto, engenheiro agrônomo do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), criado para promover o crescimento e o desenvolvimento desse setor do agronegócio no País.

A maioria dos produtores adota o sistema de Boas Práticas Agrícolas (BPA), pois, embora não haja obrigatoriedade, é uma preferência dos importadores. A FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) define o sistema como “a aplicação do conhecimento disponível à utilização sustentável dos recursos naturais básicos para a produção, em forma benévola, de produtos agrícolas alimentares e não alimentares inócuos e saudáveis, uma vez que procuram a viabilidade econômica e estabilidade social".

O sistema reúne princípios, normas e recomendações técnicas aplicáveis na produção, no processamento e no transporte de alimentos. “Há um maior controle na utilização de insumos e defensivos, respeito ao trabalhador rural e ao meio ambiente, redução de custos de produção e garantias de segurança alimentar ao consumidor final”, afirma Ribeiro Neto.

Na Europa, um grupo de supermercadistas criou a certificação GlobalGAP, com o objetivo de obter frutas com garantias de rastreabilidade e segurança alimentar. O certificado foi criado para assegurar que a produção gera baixo impacto ambiental, tem gerenciamento de qualidade e usa o Manejo Integrado de Pragas (MIP), reduzindo o uso indiscriminado de produtos químicos, entre outros.

Segundo a Ibraf, hoje, o objetivo dos produtores de fruta brasileiros é chegar a outros mercados, principalmente nos países Árabes, na Ásia, na África, no Leste Europeu e no Canadá.

Promovendo melhorias

A divisão de Sementes de Frutas e Hortaliças da Monsanto desenvolve diversas pesquisas de melhoramento para que seja possível aumentar a produtividade e a qualidade de melão e melancia, ao mesmo tempo em que ajuda a reduzir o impacto ambiental por meio de variedades com melhor resistência a doenças.

A Seminis, uma das marcas de sementes de hortaliças e frutas da Monsanto, por exemplo, está presente no mercado de melões para exportação no Rio Grande do Norte, Pernambuco e no Ceará. A empresa desenvolve híbridos de melão amarelo, gália, cantaloupe, cantaloupe italiano, pele-de-sapo e melancia por meio de melhoramento genético convencional.

A Monsanto busca desenvolver frutos mais saborosos e aromáticos, e com boa preservação pós-colheita, que permitam que os produtos cheguem em boas condições à Europa e aos EUA.

“Com o melhoramento genético, desenvolvemos alternativas naturais para controles químicos das pragas e outras características que aumentam a produção, além de oferecer ao consumidor frutas de melhor qualidade. O Nordeste é um mercado muito importante, com mais ou menos 11 mil hectares de lavouras de melão, sendo que 80% dessa produção é exportada”, afirma José Brito, supervisor de Vendas da divisão de Sementes de Frutas e Hortaliças da Monsanto para o Nordeste.

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