Julho | 2009 | Edição XXVIII | Ano IV

Artigo

“A melhor maneira de preservar os benefícios do milho Bt é plantar a área de refúgio”

* Samuel Martinelli


O objetivo do refúgio é manter uma população da praga alvo sensível à proteína inseticida do milho Bt nas lavouras

A utilização de plantas geneticamente modificadas (GM) com a inserção de genes obtidos a partir de Bacillus thuringiensis Berliner (Bt) é crescente na agricultura mundial. B. thuringiensis é uma bactéria que pode ser naturalmente encontrada no solo, e que na sua fase de esporulação produz esporos e cristais que contêm proteínas inseticidas com ação sobre determinados grupos de insetos. As tecnologias de milho Bt aprovadas para o cultivo no Brasil possuem um único gene de B. thuringiensis. A inserção deste gene é responsável pela expressão nas plantas de milho Bt de uma proteína que tem ação inseticida, e que portanto, protege a lavoura contra o ataque de determinadas espécies de lagartas. É importante ressaltar que o mecanismo de resistência nas plantas de milho Bt é específico e seletivo aos inimigos naturais. Estas características fazem com que o milho Bt seja compatível com o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

No entanto, a evolução da resistência em populações de insetos é uma área de atenção nos segmentos de controle de pragas. A resistência é um fenômeno biológico que ocorre em resposta à pressão de seleção exercida pelos métodos de controle sobre as populações de insetos praga. Portanto, a evolução da resistência consiste na seleção dos indivíduos resistentes e no aumento da frequência dos indivíduos portadores de genes (ou alelos) de resistência na população da praga. No caso do milho Bt, as lagartas naturalmente resistentes podem sobreviver no campo e transmitir a resistência para as gerações seguintes. Por sua vez, este risco para a evolução da resistência pode ser minimizado com a adoção de práticas de Manejo de Resistência de Insetos (MRI), tais como o plantio de áreas de refúgio.

O objetivo do refúgio é manter uma população da praga alvo sensível à proteína inseticida do milho Bt. Assim, os insetos adultos das pragas, que se desenvolveram no refúgio, irão acasalar com qualquer raro indivíduo resistente que possa ter sobrevivido no milho Bt e, consequentemente, transmitir a suscetibilidade para as gerações seguintes das pragas alvo. Para os híbridos de milho Bt, atualmente em cultivo comercial no Brasil e que possuem expressão de apenas uma proteína inseticida, a recomendação das empresas que compõem a indústria de sementes e biotecnologia é o plantio de 10% de área de refúgio.

A correta implementação da área de refúgio em lavouras de milho Bt deve seguir as seguintes recomendações:

  • Para cada 9 hectares semeados com milho Bt, 1 hectare adicional deve ser semeado com milho não-Bt para a manutenção do refúgio, ou seja, 10% da área total de milho.
  • Recomenda-se que o refúgio seja plantado com um híbrido de ciclo vegetativo similar, o mais próximo possível, e ao mesmo tempo em que o milho Bt.
  • O refúgio deve ser formado por um bloco de milho não-Bt plantado a menos de 800 metros do milho Bt; a distância máxima entre qualquer planta de milho Bt do campo e uma planta da área de refúgio deve ser de 800 metros.
  • O refúgio deve ser plantado na mesma propriedade do cultivo do milho Bt e manejado pelo mesmo agricultor.
  • Não é recomendada a mistura de sementes de milho não-Bt com o milho Bt; caso a população de pragas alvo atinja o nível de dano econômico na área de refúgio, o controle poderá ser realizado com inseticidas que não sejam formulados a base de Bt.

Seguindo essas indicações, o produtor contribuirá para a preservação do milho Bt e poderá usufruir todos os benefícios que essa moderna tecnologia pode proporcionar. Dessa forma, as indústrias e os agricultores poderão agir com responsabilidade e trabalhar em conjunto para manter a viabilidade do milho Bt na proteção contra o ataque de pragas.

* Samuel Martinelli, especialista em Regulamentação - MRI (Manejo de Resistência de Insetos) da Monsanto do Brasil, é engenheiro agrônomo pela UNESP/FCAV e doutor em Ciências com trabalho na área de Entomologia pela USP/ESALQ.

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