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Para sua Informação


Pesquisa francesa sobre supostos malefícios de Roundup para saúde humana comete equívoco científico

Um estudo divulgado recentemente pelos pesquisadores Nora Benachour e Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, França, alega que o herbicida Roundup, da Monsanto, seria perigoso para a saúde humana mesmo em doses mínimas. Para a Monsanto, no entanto, o trabalho desconsiderou diversos aspectos importantes de avaliação e metodologias científicas e não reproduz condições reais de exposição ao produto.

Benachour e Séralini expuseram células desprotegidas de seus sistemas de defesa ao glifosato, princípio ativo do Roundup, numa placa de Petri (pequeno prato circular de vidro ou plástico usado para se cultivar células). Experimentos desse tipo não são relevantes para pesquisas com animais e não provêem informações sobre riscos à saúde humana em condições reais. Ao contrário, testes em placa de Petri servem para atestar um dado básico e bastante conhecido de toda a comunidade científica: de que maneira as substâncias podem danificar células desprotegidas em tubos de ensaios. Neste caso, avaliações in vitro são insuficientes para questionar exames científicos e toxicológicos extensivamente realizados com sucesso em condições reais nos últimos 35 anos.

Além disso, os experimentos de Benachour e Séralini foram conduzidos em condições artificiais e, portanto, os resultados não são prova da possível toxicidade do glifosato ao ser humano. A exposição direta de células ao herbicida, no estudo aplicado pelos franceses, ultrapassa os limites de absorção de uma célula sadia, impedindo o metabolismo natural que a faria sobreviver. Em qualquer agência regulatória ou instituição científica do mundo, parâmetros de superexposição como esse servem apenas para observar tecnicamente a reação dos organismos celulares à determinadas substâncias, em contexto específicos. Não são aplicados em avaliações de risco à saúde humana. Até mesmo a cafeína, por exemplo, normalmente usada em alimentos diversos, vai causar danos à célula durante um experimento em placa de Petri, mas as conclusões dessa observação deveriam ser avaliadas com um propósito predeterminado.

A avaliação de estudos toxicológicos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) e pela União Européia têm demonstrado que o glifosato não causa câncer, efeitos mutagênicos ou apresenta efeitos colaterais ao sistema nervoso dos animais. A EPA estabeleceu o glifosato como categoria E, comprovadamente não carcinogênico. Sua segurança ambiental e à saúde foi também testada em avaliações feitas pelas autoridades de registro no Brasil e órgãos internacionais, como descrito acima, e pela comunidade científica internacional ao longo dos últimos 30 anos.

Os herbicidas à base de glifosato, um dos compostos químicos menos tóxicos e menos residuais existentes hoje no mercado, são utilizados em mais de 130 países, inclusive o Brasil, para controlar plantas daninhas em lavouras e áreas não agrícolas.

O glifosato degrada-se naturalmente no solo após a aplicação, evitando a contaminação de lençóis freáticos. Nos Estados Unidos e em outros países, o glifosato tem uso permitido para jardinagem doméstica, tamanhas suas condições de segurança. O produto é o único já utilizado na reserva ecológica de Galápagos e para controle de plantas daninhas em patrimônios da humanidade como Pompéia, na Itália. O herbicida também foi doado pela Monsanto para a restauração da Baía Willapa, em Washington (EUA) - habitat natural de aves e organismos marítimos -, que estava sofrendo com a invasão de plantas daninhas.

Estudos de biomonitoramento - avaliações feitas para analisar a exposição humana a substâncias químicas - demonstraram que o Roundup, quando utilizado conforme as recomendações técnicas da bula e com o equipamento de proteção individual adequado, não provoca danos à saúde dos trabalhadores, sendo pouco absorvido pelo corpo e eliminado sem alterações.