Histórias de elevação do preço dos alimentos e escassez em partes do mundo em desenvolvimento suscitaram a questão: é adequado usar culturas que podem produzir alimentos para a produção de biocombustíveis?
O tópico é importante e apropriado. Mas fazer a pergunta desta maneira pressupõe um conflito entre a produção de alimentos e a de biocombustíveis. Esta suposição é falsa e ignora o incrível potencial da agricultura em atender as crescentes demandas por alimentos, ração e combustível.
Muitos daqueles que questionam esta capacidade de maneira pessimista acreditam que o rendimento dos cultivos permanece estático. Uma rápida avaliação dos dados históricos fornecidos pelo USDA (Ministério da Agricultura dos Estados Unidos) mostra que simplesmente este não é o caso.
Com base na história e na realização de pesquisas cientificas, temos uma visão mais otimista. Em razão de um melhor cultivo de plantas, da biotecnologia e de investimentos que empresas como a Monsanto fizeram na década passada, hoje os agricultores estão produzindo mais grãos por acre do que jamais haviam feito.
Tomemos por exemplo o milho. Em 1979, as lavouras de milho produziam em média 91 bushels por acre. Foram 137 bushels por acre em 2000 e mais de 150 bushels por acre hoje. Com base na ciência e em pesquisas preliminares realizadas aqui na Monsanto, acreditamos que podemos aumentar a rentabilidade do cultivo do milho para 300 bushels por acre como uma média nacional até 2030, tudo isso mantendo insumos como água e nitrogênio relativamente os mesmos, ou talvez até os reduzindo (Fonte: Monsanto).
Assim como os críticos têm ignorado a capacidade da agricultura de melhorar a produtividade de grãos, outros têm feito falsas afirmações sobre a produção de biocombustíveis e o aumento do preço dos alimentos. Como antes, esses argumentos inconsistentes normalmente começam com falsas suposições.
Recentes relatos da mídia aumentam este sentimento anti-biocombustível ao afirmar que a demanda pela produção de milho e soja para biocombustível é um importante - se não a mais importante - causa dos atuais problemas de alimentos no mundo. Esses relatos causaram a redução ou eliminação do apoio ao desenvolvimento de uma indústria de biocombustíveis. Esta ação não seria míope, ela também causaria mais danos do que benefícios tanto para o custo dos alimentos quanto dos combustíveis - no médio e longo prazo.
Uma análise objetiva demonstra que a mudança para o uso de grãos na produção de biocombustíveis representa apenas uma pequena parte do aumento dos custos dos alimentos. A maior causa do aumento desses custo - a inacreditável e rápida elevação do custo do petróleo - permanece em grande parte não sendo mencionada.
Considere que para cada dólar que as famílias americanas estão gastando com os custos mais altos de alimentos e combustíveis, em média 75 cents é para o combustível e 25 para alimentos. Grande parte destes 25 cents gastos com alimentos é diretamente atribuível aos US$120 por barril de petróleo, já que o mesmo causa aumento de custo não apenas para a produção de alimentos, mas também para transporte e processamento.
Leve em consideração o milho. A produção de etanol de milho nos Estados Unidos tem sido amplamente criticada e, em alguns casos, apontada como única razão para a escassez mundial de alimentos. Mas o fato é que os Estados Unidos exportaram aproximadamente 15% mais milho em 2007 do que nos dois anos anteriores. E apenas a título de observação, o arroz - alimento mais utilizado em todo o mundo - sofreu aumento de preços em taxas comparáveis às do milho e soja, porém, o arroz não é usado para a produção de biocombustíveis.
O fato é que a demanda por arroz e outros alimentos e rações está aumentando - especialmente em países como China e Índia. Na realidade, a eliminação dos biocombustíveis acabaria custando mais ao consumidor médio, tanto na bomba de abastecimento quanto na mercearia. No curto prazo, estima-se que a eliminação de etanol na bomba resultaria em aumento de preços nos Estados Unidos entre 29 e 40 centavos de dólar por galão. Isso impactaria os consumidores tanto na bomba quanto no próprio transporte de seus alimentos de um ponto ao outro. Tudo computado, isso levaria a um aumento de custo anual superior a US$300 para a família americana média. Comparando o aumento de $60 a $80 no custo dos alimentos, atribuível ao etanol, se torna um maior custo benefício para os consumidores apoiar o biocombustível do que se opor a ele.
Por fim, os críticos afirmam que a produção de etanol - e especificamente aquele a base de milho - é ruim para o meio ambiente, pois consome mais energia do que gera. Mais uma vez, essas afirmações são falsas e, a despeito da falta de cobertura dos fatos pela impressa, afirmações contrárias têm sido apoiadas por alguns dos principais especialistas da nação.
Considere o seguinte:
Culpar os biocombustíveis pela elevação dos preços e escassez mundial de alimentos, e afirmar que estes são ruins para o meio ambiente é fácil. O difícil é apresentar idéias que gerem soluções de longo prazo para a crescente demanda por alimentos, ração e combustível.
Na Monsanto, sabemos que inovar na agricultura é oferecer mais alimentos a partir do mesmo pedaço de terra, o que jamais fora feito antes. Ao aumentar a produtividade da agricultura, avançamos no caminho para atender todas as necessidades de um mundo em crescimento. Sabemos que os agricultores, armados com novas tecnologias e práticas, podem produzir grãos suficientes para os alimentos, ração e combustível.
No Brasil, o etanol é produzido a base de cana-de-açúcar, cultura que ocupa cerca de 5% apenas da área de agricultura do país e ainda tem espaço para crescer nas áreas de pastagens, sem comprometer a produção de alimentos nem avançar sobre áreas nativas.
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