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Algodão

Biotecnologia : A Biotecnologia e o Meio Ambiente : Algodão



ALGODÃO

Com o cultivo de algodão transgênico, no período de 10 anos, os benefícios serão ainda maiores uma vez que, proporcionalmente, o algodão convencional utiliza um volume maior de agroquímicos em seu plantio na comparação com a soja convencional. É o que aponta o estudo da Céleres Consultoria, de janeiro de 2008. Assim, o algodão transgênico permitirá uma redução do volume de ingrediente ativo ainda maior que no caso da soja: 41,5 mil toneladas no mesmo período analisado. Além disso, serão economizados 13,5 bilhões de litros de água, volume suficiente para abastecer uma cidade de 30 mil habitantes por 10 anos, 77,3 milhões de litros de óleo diesel, ou seja, o equivalente para o abastecimento de uma frota de 32,2 mil veículos pelo mesmo período, além de uma redução de emissões para a atmosfera de 198,67 mil toneladas de CO² (dióxido de carbono), o que representa o plantio de quase 1,5 milhão de árvores, quantidade necessária para neutralizar tal liberação, em igual período.

Sobre o plantio de algodão Bollgard, iniciado somente na safra 2006/07, o estudo da Céleres fez uma projeção dos benefícios econômicos potenciais para os produtores até a safra 2016/17 e concluiu que, a partir de uma área plantada acumulada de 23 milhões de hectares, dos quais 16,6 milhões de hectares transgênicos, eles poderão atingir US$ 4,8 bilhões no período.

Segundo o estudo "Lavouras GM: os primeiros dez anos - impactos sociais, econômicos e ambientais globais", (2007) de autoria dos economistas Graham Brookes e Peter Barfoot, da consultoria inglesa PG Economics, é um dos primeiros levantamentos quantitativos sobre o impacto da biotecnologia de 1996 - 2006:

 
Algodão tolerante a herbicidas é responsável pela redução de 28,6 mil toneladas de defensivos agrícolas

 
Algodão resistente a insetos-pragas é responsável pela redução de 94,5 mil toneladas de defensivos agrícolas

Na safra 2005/2006, segundo artigo do engenheiro Fabiano Ferreira (Monsanto), 32 ensaios experimentais com a tecnologia Bollgard® foram conduzidos em propriedades de diversas regiões produtoras do País, com o objetivo de conferir que tipos de benefícios eram trazidos pela biotecnologia à cotonicultura.

 
Nos plantios de algodão Bollgard®, em comparação com cultivares comerciais, reduziu-se de 16 para 14 o número médio de entradas nas lavouras para pulverizações. Outra queda foi verificada no número de produtos usados para o controle de pragas: enquanto as lavouras convencionais utilizaram 31, a de algodão com a tecnologia geneticamente modificada utilizou 22.

 
O resultado foi sentido pelos produtores no bolso, com uma economia no custo por hectare, levando-se em conta a redução do uso de agroquímicos e maquinário, incluindo combustível e mão-de-obra para as aplicações.

 
A redução da utilização de defensivos para o controle das pragas também trouxe benefícios significativos ao meio ambiente. Menos inseticidas significa menos embalagens descartadas e a prevenção da contaminação de rios e solos, bem como redução de intoxicação de produtores e animais.

 
Na comparação dos tipos de inseticidas, o algodão Bollgard® traz mais uma vantagem em relação às variedades convencionais: a lavoura com sementes derivadas da biotecnologia utiliza menos inseticidas organofosforados e piretróides, que têm toxidez elevada e menos seletividade quando comparados a outros grupos químicos de inseticidas.

 
A característica inserida nas sementes para conferir resistência a insetos-pragas contribui, também, para a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa, pois parte significativa do uso do maquinário utilizado para a aplicação de agroquímicos passa a ser dispensado.

Segundo conclusão de uma pesquisa realizada pelo IMRB (Companhia Indiana de Pesquisas de Mercado) com cerca de 3.000 cotonicultores de 20 distritos indianos, nos estados de Andhra Pradesh, Karnataka, Tamil Nadu, Madhya Pradesh, Maharashtra e Gujarat em abril de 2006, agricultores indianos que plantaram algodão Bollgard®, resistente a insetos, diminuíram de quatro a cinco vezes as aplicações de inseticidas, quando comparados com aqueles que cultivaram variedades convencionais.

 
O estudo mostra também que a média de aplicações de inseticidas nas plantações de algodão Bollgard® foi de 1,7 vez, comparado com as 6,2 vezes necessárias em lavouras da variedade convencional.

O levantamento do Centro Nacional para Políticas Agrícolas e Alimentares (NCFAP - Nacional Center for Food and Agricultural Policy), publicado em novembro de 2005, cita o estudo de W. Mullins, que compara o algodão Bollgard®, resistente a insetos-pragas, com seu similar convencional nas lavouras norte-americanas, confirmando as vantagens econômicas e agronômicas do algodão resistente a insetos. As análises indicam que o algodão Bollgard® reduziu o uso de inseticidas em 2,32 aplicações por hectare.

Levantamentos feitos na região do Cotton Belt, nos EUA, indicaram que, pelo uso do algodão Bollgard, resistente ao ataque de pragas, os agricultores americanos já conseguiram reduzir em 12% a utilização de inseticidas desde que as primeiras variedades geneticamente modificadas/transgênicas foram introduzidas, de acordo com o National Center for Food and Agricultural Policy, de Washington.

Em 2003, um estudo divulgado pela Universidade de Bonn, na Alemanha, mostrou que, no caso do algodão geneticamente modificado, a dose de inseticida aplicada foi três vezes menor que o volume aplicado nas plantações convencionais (economia de US$ 30 por hectare), o que representa uma economia de quase 70% do produto comercial e também da presença de ingredientes ativos na planta. A maior parte da redução foi de substâncias químicas altamente tóxicas.

Segundo o estudo "Impactos ambientais comparativos entre as lavouras trandicionais e transgênicas de soja, milho e algodão", do Conselho de Tecnologia e Ciência Agrícola dos Estados Unidos (2002), o algodão Bt resulta em efeito positivo sobre o número e diversidade de insetos benéficos nos campos de algodão dos Estados Unidos e da Austrália.

Documento da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) - Plantas com proteção Bt agregada (2001) - constatou que a redução da aplicação de inseticidas na lavoura de algodão Bt reduz a exposição de mamíferos, aves, insetos, peixes e outros organismos às substâncias tóxicas

O estudo chefiado por Roger Leonard, do Centro Agrícola da Universidade Estadual da Louisiana (EUA), e Ronald Smith, da Universidade de Auburn, no Alabama (EUA), aponta que o algodão transgênico foi responsável:

 
Pela economia de 1,6 mil toneladas de matérias-primas e de 5,6 milhões de litros de óleo combustível;

 
Diminuição do total de lixo industrial em 980 toneladas.

O estudo "Gerenciamento integrado de insetos e impactos ambientais do algodão Bt" (2001) revela os benefícios ambientais trazidos pela variedade durante a safra de 2000:

 
Economia de mais de 1,5 mil toneladas de matéria-prima utilizada na produção de inseticidas

 
Economia de mais de 17 milhões de litros de combustível necessários ao transporte para aplicação do químico, comparado com o ano anterior

 
Mais de 400 mil vasilhames de inseticidas deixaram de ser utilizados e descartados no meio ambiente

Uma análise feita em 2001, nos Estados Unidos, mostra que a lavoura de algodão Bt proporcionou economia de 4,5 milhões de galões de combustível necessários no transporte e aplicação do químico no ano anterior. A redução da aplicação de inseticidas reduz o contato e intoxicação de animais com o produto químico e também previne o descarte excessivo de embalagens, que muitas vezes não são devidamente cuidadas e causam contaminação de rios e solos.

 
O estudo citado acima concluiu também que, com o algodão resistente a insetos, 416 mil vasilhames de inseticidas deixaram de ser utilizados e descartados no meio ambiente.

No Brasil, pesquisadores da Esalq/USP realizaram um estudo para averiguar o potencial econômico local do algodão resistente a insetos, com base nos resultados experimentais de campo obtidos na safra 1999/2000. Os professores Joaquim Bento de Souza Ferreira Filho e Augusto Hauber Gameiro divulgaram, em 2001, que o uso da tecnologia Bt em metade da área total cultivada com algodão no País traria uma redução agregada de custos de produção da ordem de R$ 20,1 milhões ao ano, geradas pela redução no uso de inseticidas, de óleo diesel e dos demais custos associados à aplicação de agroquímicos.

 
Documento da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) - Plantas com proteção Bt agregada (2001) - constatou que a redução da aplicação de inseticidas na lavoura de algodão Bt reduz a exposição de mamíferos, aves, insetos, peixes e outros organismos às substâncias tóxicas.

 
O aumento na porcentagem de acres plantados com algodão geneticamente modificados foi particularmente notado. No estado da Geórgia o algodão GM representou 85% do total da produção em 2001. As variedades de algodão GM disponíveis atualmente para os produtores norte-americanos são tolerantes a herbicidas (HTGM), resistentes a insetos (IRGM) ou ambos (Stacked). As variedades IRGM de algodão transgênico, introduzidas no mercado em 1996 com o gene da bactéria Bacillus thuringiensis, representaram 42% da produção de algodão na Geórgia em 2001 (incluindo as variedades Stacked).

Segundo o CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia), na China, onde o algodão Bt é cultivado em 3,7 milhões de hectares, aplicam-se cinco vezes menos inseticidas nessas lavouras em relação às convencionais, o que é vantajoso também para o agricultor, que passa a ter condições de trabalho mais saudáveis.

O estudo do National Center for Food and Agricultural Policy (NCFAP), Os impactos das colheitas derivadas da biotecnologia na agricultura dos Estados Unidos em 2005, novembro/2006 - www.ncfap.org:

 
Comparado com 2004, o ano de 2005 também registrou significantes reduções na aplicação de herbicidas, custos com aragem e extração manual. A adoção de sementes transgênicas tolerantes a herbicidas trouxe aos agricultores americanos economia de US$ 39 milhões e redução do uso de 8,1 milhões kg de herbicidas.

 
Os custos derivados da produção do algodão Bollgard® diminuíram, em 2005, US$ 115 milhões, graças à redução no número de aplicações de inseticidas - redução de 884 mil quilos, comparado com 2004.

 
A redução dos custos de produção com o algodão Bollgard® II trouxe economia de US$ 5,5 milhões em gastos com inseticidas.