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A biotecnologia de alimentos pode oferecer uma solução às dominantes forças da desnutrição e da fome. NOVA YORK - Segundo o dr. Channapatna S. Prakash, renomado especialista em biotecnologia agrícola, o desenvolvimento da biotecnologia de alimentos, se estrategicamente dirigido, pode ajudar a nutrir os habitantes de países em desenvolvimento. "O desenvolvimento agrícola será fundamental para suprir as necessidades futuras de alimentos no mundo, reduzindo a pobreza e protegendo o meio ambiente", diz o dr. Prakash, professor de Genética Molecular Vegetal e diretor do Centro de Pesquisa Vegetal Biotecnológica da Universidade de Tuskegee, no Alabama (EUA). "Aumentar a qualidade da produtividade agrícola de maneira ambientalmente sustentável é uma tarefa altamente desafiadora." Essas informações foram apresentadas em uma coletiva de imprensa promovida pela American Medical Association (Associação Médica Americana) sobre a biotecnologia de alimentos, em 4 de outubro de 2001. "A ciência trouxe grandes benefícios à humanidade, especialmente no século passado, e dobrou a expectativa de vida das pessoas, até mesmo nos países mais pobres. As contínuas aplicações da ciência, principalmente aquelas cujo alvo são as nações em desenvolvimento em sua capacidade de produzir mais alimentos de maneira ambientalmente sustentável, serão vitais no futuro," assegura o dr. Prakash. Os países em desenvolvimento podem produzir mais alimentos a partir de lavouras aprimoradas através da biotecnologia e alcançar os seguintes resultados:
De acordo com o cientista, o desenvolvimento de variedades de grãos de alto rendimento melhorou as condições em diversas regiões de países em desenvolvimento, por meio da criação de um suprimento de alimentos aprimorado e acessível e do aumento das receitas de milhões de agricultores. Também reduziu a incidência de fome e inanição, apesar do crescimento populacional das últimas décadas. Entretanto, a insegurança em relação aos suprimentos de alimentos e a desnutrição persistem em boa parte do mundo em desenvolvimento. O milho originário da biotecnologia, já amplamente usado nos Estados Unidos, produz sua própria proteção contra a broca do milho. "A pesquisa das batatas-doces que se auto-protegem contra vírus está a caminho, assim como a do arroz, feijão, mandioca e outros alimentos básicos com tolerância aprimorada às doenças, pestes e estresses físicos", diz o dr. Prakash. "Estamos também ajudando a eliminar as deficiências nutricionais por meio da biotecnologia. Ela pode acelerar o desenvolvimento de novas variedades e aprimorar cultivos marginais, como painço, bananas, grãos, legumes, mandioca e batata-doce, importantes alimentos básicos em países em desenvolvimento", comenta o dr. Prakash. "Em 1997, o Grupo do Banco Mundial de Consultoria em Pesquisa Agrícola Internacional estimou que a biotecnologia poderia ajudar a melhorar a produção de alimentos do mundo em até 25%." Segundo o dr. Prakash, o arroz dourado, geneticamente modificado para ter mais betacaroteno, o precursor da vitamina A, pode em breve resolver a deficiência de vitamina A, condição à qual estão sujeitos de 200 a 400 milhões de crianças. Cerca de meio milhão de crianças perdem a visão anualmente, como resultado desta deficiência. As pessoas que vivem na pobreza enfrentam este risco, pois têm acesso a poucas frutas e vegetais e consomem, principalmente, o arroz. O arroz dourado eliminará ao menos em parte esse problema, sem mudar os padrões dos cultivos e os hábitos alimentares ou implementar intervenções logísticas caras. A biotecnologia pode eliminar parcialmente a fome, simplesmente pelo aumento da disponibilidade de alimentos acessíveis, cultivados localmente. A tecnologia também pode ajudar a reduzir a pobreza, a desnutrição e as deficiências de micronutrientes e, ao mesmo tempo, melhorar as qualidade de vida das populações. "Por si só, a biotecnologia não eliminará a fome ou a pobreza," previne o Dr. Prakash. "Ela é apenas uma ferramenta que, associada a outras opções, pode ser um poderoso elemento de mudança, ajudando a catalisar o avanço das nações em desenvolvimento". "O desafio do futuro consiste em ajudar os que elaboram as políticas a seguir em frente. Informação, esperança e otimismo oferecerão a base para uma mudança responsável. O primeiro passo será o maior desafio. Os elementos necessários ao estabelecimento de políticas para a biotecnologia de alimentos são: recursos financeiros, especialização técnica, biossegurança, leis de propriedade intelectual e mecanismos que facilitem a transferência de tecnologia e geração", conclui o dr. Prakash. Nota: A pesquisa do dr. Prakash é apoiada por doações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional e do Programa Espacial Aeronáutico Nacional (NASA). Foi consultor da Demgen, Inc. e também dirige a AgBioWorld Foundation. Mais informações no endereço http://www.ama-assn.org/ama/pub/article/4197-5322.html
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