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Vacinas presentes em vegetais constituem promessa contra doenças infecciosas
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Os benefícios incluem maior segurança das vacinas e custos mais baixos.

NOVA YORK - Segundo o dr. Alexander V. Karasev, destacado especialista em vacinas biotecnológicas, os cientistas estão desenvolvendo vacinas presentes em plantas - seguras e baratas - para a proteção contra doenças tais como o vírus da imunodeficiência humana (HIV), a hepatite B e a raiva.

"As vacinas vegetais representam o caminho do futuro, por causa de dois aspectos a serem considerados: o custo e a segurança", diz o dr. Karasev, professor assistente do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Jefferson Medical College, da Universidade Thomas Jefferson, na Filadélfia (EUA), e membro dos Laboratórios da Fundação de Biotecnologia da mesma universidade.

Essas informações foram apresentadas em uma coletiva de imprensa promovida pela American Medical Association (Associação Médica Americana) sobre a biotecnologia de alimentos, em 4 de outubro de 2001.

"Quando estiverem completamente desenvolvidas, as vacinas vegetais serão muito mais baratas que as vacinas de hoje. Atualmente, imunizar completamente uma pessoa contra a hepatite B pode custar até US$ 450. No futuro, graças às vacinas vegetais, a mesma imunização custará apenas uma fração desse valor, tornando-se assim acessível a um maior número de pessoas."

"As plantas são também o veículo de transporte de vacina mais seguro que se pode imaginar. Quando produzidas em culturas de tecidos animais e em células humanas, cada lote de vacina requer testes extensivos, por razões de segurança. Uma das preocupações é a contaminação por patógenos desconhecidos," explica o dr. Karasev. "Essa medidas de segurança necessárias aumentam o custo de nossas vacinas atuais."

"As vacinas vegetais podem ser consideradas mais como medicamentos do que como alimentos. Quando as pessoas pensam em medicamentos, elas estão menos preocupadas com a manipulação genética. Sua principal preocupação é se vai funcionar ou não", adiciona o dr. Karasev.

O dr. Karasev é membro de uma equipe científica que trabalha no projeto de autoria da dra. Hillary Koprowski, cujo laboratório está focado no desenvolvimento de componentes de vacinas em plantas comestíveis - principalmente espinafre, alface e soja - que, segundo ele, podem ser cultivadas em países em desenvolvimento que lutam contra doenças infecciosas.

O laboratório está preparando o espinafre para prover uma vacina contra o HIV. "Se o projétil mágico para o HIV for encontrado, podemos rapidamente incorporá-lo a nosso sistema de produção. Até agora, os dois melhores alvos para o HIV-1 são a proteína da capa do vírus e a proteína transativadora transcripcional (tat) do HIV - uma pequena proteína regulatória, que é um componente-chave para o sistema replicador do vírus. Encontramos a pequena proteína tat no vetor do vírus e podemos produzi-la em plantas, com alto rendimento. Neste estágio específico, estamos testando essas plantas como antígenos", relata o dr. Karasev.

Os pesquisadores clonaram, com sucesso, o gene-padrão, atualmente usado na vacina recombinante da hepatite B, introduzindo-o no genoma da alface, por meio de métodos convencionais de geração de plantas geneticamente modificadas. Esta variedade foi usada na alimentação de um grupo de voluntários na Polônia, que demonstrou uma boa e encorajadora resposta de imunização após sua aplicação inicial. A vacina deve estar pronta daqui a dois ou três anos.

"A vacina atualmente disponível contra a hepatite B é custosa, pois requer três injeções, a US$150 cada. A eliminação de apenas uma dessas injeções reduz o custo da vacina em 30%", declara o dr. Karasev.

O laboratório criou uma vacina contra a raiva usando o espinafre. O dr. Karasev informa que indivíduos sob estudo demonstraram uma boa resposta às três doses de vacina contra a raiva elaborada a partir do espinafre. O primeiro experimento humano envolveu oito pessoas e o segundo, 16 indivíduos, divididos em um grupo de controle e outro de teste, que comeram cerca de 150 gramas de folhas de espinafre. Quando testados, seus anticorpos haviam aumentado bastante. A vacina contra a raiva estará totalmente desenvolvida no período de um a dois anos.

"Há uma grande necessidade de se desenvolver uma vacina relativamente simples contra a raiva, especialmente na Índia. A vacina atualmente disponível é uma antiga vacina de Pasteur, usada no tratamento de pós-exposição, após alguém já ter sido mordido por um animal raivoso", afirma o dr. Karasev.

O agronegócio e a agricultura podem produzir um grande volume de vacinas baratas em plantas comestíveis. O dr. Karasev diz que pílulas serão elaboradas a partir das plantas-vacina desidratadas, para assegurar o fornecimento de quantidades constantes da vacina. "A eliminação de doenças infecciosas por meio de plantas-vacina ajudará tremendamente as pessoas dos países em desenvolvimento", observa o dr. Karasev. "Temos de apoiá-la, como governo e como pessoas, de forma a auxiliar os países em desenvolvimento, flagelados por essas pestilências e suas moléstias dramáticas, além de desconforto emocional."

Nota: A pesquisa do dr. Karasev é apoiada por doações da Comunidade da Pensilvânia e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Mais informações no endereço: http://www.ama-assn.org/ama/pub/article/4197-5322.html



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