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No futuro, os alimentos poderão ser personalizados, de acordo com a natureza genética de cada indivíduo. NOVA YORK - Segundo a professora Martina McGloughlin, renomada especialista em biotecnologia agrícola, as mesmas ferramentas que tem sido utilizadas para analisar o genoma humano podem agora ser usadas para avaliar as plantas cultivadas, melhorando suas qualidades nutritivas. "A biotecnologia oferece uma grande variedade de ferramentas para melhorar a qualidade de nossas lavouras, minimizando ao mesmo tempo o impacto sobre o meio-ambiente. Proporciona, ainda, uma extraordinária oportunidade para que as pessoas e os animais desfrutem de melhor saúde", diz a Profa. McGloughlin, diretora do Programa de Biotecnologia da Universidade da Califórnia e do Programa de Ciências da Vida e Informática de Todo o Sistema Universitário da Califórnia (EUA), que abrange os nove campi da universidade e três laboratórios nacionais. "Essas técnicas de aprimoramento do cultivo agrícola são muito poderosas e estão nos permitindo fazer coisas que constituem uma garantia de que não dependeremos mais de alguns danosos produtos químicos, dos quais dependíamos no passado, para o cultivo de nossas lavouras". Essas informações foram apresentadas em uma coletiva de imprensa promovida pela American Medical Association (Associação Médica Americana) sobre a biotecnologia de alimentos, em 4 de outubro de 2001. "No futuro, vamos nos concentrar cada vez mais em dietas individuais para manter a saúde. O progresso genômico, a agricultura e a biotecnologia dos alimentos nos permitirão usar nossas dietas para cuidar de problemas individuais específicos que mudanças dietéticas personalizadas podem resolver. Eu acho que estamos perto do dia em que vamos até mesmo personalizar nossos alimentos, de forma a adaptá-los à nossa genética e otimizar a qualidade de nossas vidas", prevê a Profa. McGloughlin. "Todos os alimentos conterão genes para protegê-los de doenças. Adicionalmente, haverá componentes de valor agregado, tais como coeficientes mais elevados de micro e macronutrientes, que irão melhorar nossa qualidade de vida por meio de modificações em nossas dietas para nos manter mais saudáveis." "A biotecnologia tem sido adotada para a produção de plantas mais resistentes e saudáveis. Isso levou a uma enorme redução do uso de produtos químicos, pois essas lavouras estão utilizando a técnica do DNA recombinante, em lugar daquela fundamentada no uso de químicos", explica a Profa. McGloughlin. "Além das vantagens ambientais óbvias, acho que os consumidores vão querer encontrar nos supermercados alimentos de qualidade superior, seja devido ao seu maior período de conservação, seja por meio do aprimoramento em seu valor nutritivo. A biotecnologia tem diversas aplicações na área nutricional, não apenas melhorando o conteúdo nutritivo dos alimentos, como também eliminando substâncias potencialmente danosas ou tóxicas, naturalmente presentes nas plantas cultivadas." "Cientistas estão desenvolvendo plantas cultivadas que contêm proteínas completas, isto é, com todos os aminoácidos essenciais, em lugar de proteínas deficientes nesses aminoácidos, os principais responsáveis pela fabricação de proteínas básicas. Esses novos alimentos serão especialmente úteis para os vegetarianos e pessoas que não têm acesso regular à proteína animal e que dependem dos vegetais como fontes de proteína", explica a Profa. McGloughlin. "Por exemplo, os cientistas também estão tentando aumentar a lisina no milho para obter melhores proteínas com aminoácidos essenciais. Estudos têm sido feitos para aumentar os aminoácidos, ricos em enxofre, na soja". "A segurança alimentar é a maior preocupação no desenvolvimento dessas novas culturas. Originalmente, a castanha-do-pará era considerada fonte de proteína de boa qualidade, porém a proteína que seria transferida era exatamente aquela que causa uma reação alérgica em certas pessoas, então, esse projeto foi imediatamente abandonado. Acredito que as verificações e os procedimentos estejam sendo rigorosamente cumpridos, para evitar esse tipo de problema", diz a Profa. McGloughlin. Como atualmente as enfermidades infecciosas estão sob controle, as doenças inerentes à natureza metabólica passam a ter tratamento prioritário. As vitaminas, os minerais e os antioxidantes estão ganhando um reconhecimento crescente por sua proteção contra esses males, cujas manifestações são tardias. Diversos cientistas estão utilizando as ferramentas da genômica para encontrar formas de aumentar a criação de plantas com certos tipos de fitoquímicos - principalmente os carotenóides, flavonóides e fitoestrógenos, todos identificados como poderosos antioxidantes. "O outro lado dessa questão é que os vegetais produzem muitos antinutrientes (agentes que interferem na disponibilidade e/ou absorção de um nutriente) e potenciais toxinas e alergênicos. A biotecnologia pode ser usada para eliminá-los", explica a Profa. McGloughlin. Um exemplo é o fitato, encontrado na ração animal. Por ser um antinutriente que contém fósforo em abundância e ainda inibe o zinco e o ferro, tornando-os não biodisponíveis, a ração precisa ser suplementada. A suplementação leva a um aumento de fósforo nas fezes animais, o que, por sua vez, ocasiona a poluição do meio ambiente." A Profa. McGloughlin diz que um gene que destrói o fitato está sendo introduzido no milho, para que a ração animal não precise ser suplementada. Além disso, porcos foram trabalhados geneticamente, de forma a expressar o gene fitase eles próprios, tornando-os capazes de usar o fósforo de várias fontes que antes não eram biodisponíveis. Nota: A pesquisa da Dra. McGloughlin é apoiada por doações da BIOSTAR Transgenic Animal (BIOSTAR Animal Transgênico), National Institutes of Health (Institutos Nacionais de Saúde), National Science Foundation (Fundação Nacional de Ciências), Departamento Americano de Agricultura e Institute of Food and Agricultural Sciences (Instituto de Alimentos e Ciências Agrícolas). Ela recebeu honorários e/ou serve à Accenture, American Medical Association (Associação Médica Americana), Institute of Food Technologists (Instituto de Tecnologistas de Alimentos), Institute of the Future (Instituto do Futuro), International Food and Information Council (Conselho Internacional de Alimentos e Informações) e National Agricultural Biotechnology Council (Conselho Nacional de Tecnologia Agrícola). A Dra. McGloughlin é presta serviços de consultoria à Forfas (Irlanda), ao International Life Sciences Institute (Instituto Internacional de Ciências da Vida) e à Teagasc (Irlanda). Ela também é acionista da Immunex Corporation, da Large Scale Biology Corporation e da Nanogen, Inc. Mais informações no endereço: http://www.ama-assn.org/ama/pub/article/4197-5322.html
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